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Série “White Gold”: humor britânico, egocêntrico e desvairado

por Isabel Leirós em 23 Setembro, 2017 © BBC | James Buckley, Ed Westwick e Joe Thomas protagonizam a série de Damon Beesley

O londrino Ed Westwick foi um dos rostos mais memoráveis da série Gossip Girl, retrato fiel (?) da juventude de classe alta de Nova Iorque. No 10º aniversário da estreia, numa ronda de entrevistas com os produtores, estes reconheceram que Ed foi um dos mais penalizados na sua carreira, tendo tido alguma dificuldade em encontrar papéis descolados de Chuck Bass, o bad boy icónico que interpretou entre 2007 e 2012.

Mas, finalmente, a BBC fez-lhe justiça e confiou-lhe o protagonista de White Gold, uma série de 6 episódios já disponível na Netflix, que aproveita bem a onda de revivalismo da década de 80. Estamos em Essex e Vincent Swan (Ed Westwick) é um vendedor de janelas de vidro duplo de sucesso (daí a expressão “white gold”), auxiliado pelo duo Brian & Martin, que deverão reconhecer da série The Inbetweeners, dois desenrascados que caíram ali por mera sorte e a quem vida já serviu alguns dissabores.

A vida frenética de Vincent Swan, a sua escalada no negócio e argumentos de vendas duvidosos, as festas e as drogas, a família e os romances, recordam muitas vezes o filme Wolf of Wall Street – à escala, claro está.

O egocentrismo e a ambição desmesurada conduzem cada episódio, em que a lealdade da equipa deverá estar acima do indivíduo. A narração é sempre feita pelo protagonista e de olhos nos olhos com o espectador, e os diálogos são rápidos e inteligentes.

Vincent está determinado a fazer dinheiro fácil, enganar a morte e não pagar impostos. Mas o carma não perdoa e acaba por se ver acossado pelos próprios esquemas. Numa tentativa final de salvar a família, a carreira e a dignidade, opta por fazer negócio com a máfia. Enfim, a patifaria está-lhe no sangue.

A série está recheada de curvas e contracurvas, plot twists e desfechos inesperados. Mas esses não revelo pois merecem a descoberta na primeira pessoa.

O cenário retro em que a narrativa se desenrola já começa a ser excessivamente explorado pelas produções televisivas, mas apesar de tudo funciona na perfeição em White Gold. O exuberante penteado loiro e frisado da secretária de Vincent, as ombreiras nas silhuetas femininas e masculinas, os frondosos bigodes e as cores exageradas enchem a vista. Mas cabe à banda sonora compor o ramalhete.

Clássicos de Grace Jones, The Jam, Boomtwon Rats, Pretenders, Kim Carnes (e o seu “Bette Davis Eyes”, pois então), The Cure, Roxy Music, New Order e até Julio Iglesias, retratam na perfeição o universo sonoro daquele tempo e deverão ser escutados por aqui, enquanto esperamos pela estreia da segunda temporada em 2018.

O estilo poderá não ser novidade para os fãs de The Inbetweeners, já que White Gold partilha produção com o original britânico. Mas não deixa de ser uma série refrescante e para descobrir na Netflix, altamente recomendável para quem curte humor arriscado e descomplexado.


sobre o autor

Isabel Leirós

"Oh, there is thunder in our hearts" - Fernando Pessoa (Ver mais artigos)

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