Alejandro González Iñárritu: One of the Three Friends

por Isabel em 19 Fevereiro, 2015

Alejandro González Iñárritu, é One of the Three Amigos, uma espécie de irmandade que forma com Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro, realizadores mexicanos que tomaram Hollywood de assalto e assinaram alguns dos nossos filmes favoritos. Mais do que a nacionalidade, partilham um estilo de realização hiper-realista, em que o espírito humano e os caminhos cruzados são protagonistas recorrentes.

Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance) (2014) é o culminar de um percurso de quase 15 anos, filme que lhe vale múltiplas nomeações para os Óscares, numa crítica satírica ao mundo do espectáculo, que trouxe o actor Michael Keaton de volta ao grande público e interpretando o papel da sua vida.

Foi precisamente em 2000, que o cineasta nos conquistou e logo com a sua primeira longa-metragem, Amores Perros, protagonizado por Gael García Bernal. Um enredo apaixonante, que entrelaça três histórias em torno do mesmo acidente, violento e incapacitante: uma relação sustentada pela aparência física e que se vê perante o abismo quando esta desaparece; um jovem e um amor que, afinal, nem é correspondido; um pai ausente da sua família há demasiado tempo. É um dos filmes que mais vezes revi, em que o amor assume as suas várias facetas e faz arriscar tudo, cegando e colocando de lado a razão. O mais nobre e inebriante sentimento é igualmente aquele que mais fere e marca, e Iñárritu sabe disso e arrasa-nos com um filme cru e realizado sem filtro. Amores Perros é o primeiro acto da Death Trilogy, seguido de 21 Grams (2003) e Babel (2006).

Protagonizado por Sean Penn, Naomi Watts e Benicio del Toro, também 21 Grams acompanha as vidas que se cruzam num desastre rodoviário, com uma morte e um coração transplantado. O pós-acidente retrata a culpa e a perda de quem sobrevive, mas também o alívio de quem recebeu novo sopro de vida. Benicio del Toro desempenha, sem espaço para dúvidas, o grande papel do filme e da então ainda relativamente desconhecida carreira, rosto da dor e da culpa, que procura a redenção e a liberdade.  Com Babel, Iñárritu encerra a trilogia e foi nomeado pela primeira vez para os Óscares de Melhor Filme e Melhor Realizador, rendendo a Academia à sua mestria. Brad Pitt e Cate Blanchett como grandes protagonistas chamaram a atenção da crítica e do público, num filme que viaja pelo mundo e cruza eventos decorridos em Marrocos, Japão, Estados Unidos e México.

Ao quarto filme, Biutiful, González Iñárritu volta a olhar de frente a condição mais humana que é a mortalidade. Javier Bardem protagoniza a narrativa totalmente em espanhol e com Barcelona como pano de fundo. O cineasta construiu uma personagem que sustenta a ilegalidade, para quem os trabalhadores são apenas recursos e números, que em fim de vida se vê progressivamente atormentado pela culpa e pelo corpo que falha. Ainda que apresentando uma sequência de eventos menos complexa que nos filmes anteriores, o realizador transporta-nos para um plano igualmente denso e esmagador.

Embora Iñárritu seja um realizador de ficção, a forma como transporta os eventos mais mundanos para o grande ecrã, assemelha-se a uma espécie de cinema documental, sem qualquer suavização da realidade. A dor e a salvação são os seus grandes temas. Capaz de encontrar beleza mesmo nos ângulos mais rudes, tornou-se um dos nomes essenciais do cinema contemporâneo e tudo isto em apenas 15 anos, com cinco longas-metragens.


sobre o autor

Isabel

Escreve sobre Cinema e Séries por aqui. Fala de música em rum.pt/shows/monitor. (Ver mais artigos)

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