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Martin Landau: O homem das 1000 faces

por Joao Braga em 2 Agosto, 2017

Martin Landau nasceu a 20 de Junho de 1928 e tornou-se numa das referências da televisão e do cinema, com papéis dinâmicos e originais, tendo participado em séries muito aclamadas pela televisão, crítica e, fundamentalmente, pelos telespectadores. Dono de um estilo muito particular, que o ajudou a distinguir-se dos demais, venceu vários prémios, nas várias áreas da televisão e do cinema.

Há poucos dias, Landau deixou-nos para subir pela escada do paraíso, não antes de nos ter deixado um legado supremo de representação e de simbolismo, que começou com um pequeno papel na televisão, na série aclamada, mas pouco conhecida em Portugal, “The Goldbergs”. O seu início foi, fundamentalmente, passado na televisão com participações singulares ou pequenas em séries de televisão, com sucesso ou relativo sucesso.  A carreira cinematográfica de Landau começa em 1959, num pequeno papel, protagonizado por Gregory Peck, “Os Homens Morrem Assim”. No entanto, o filme seguinte lança Landau para o estrelato, com o filme “Intriga Internacional”, tornando-o posteriormente num ‘habitual’ noutras séries de televisão que são verdadeiras referências. A interpretação de Leonard, no filme do génio Alfred Hitchcock, demonstra o valor e a polivalência de um actor que, nesta altura, se começou a tornar numa revelação.

Em 2012, Landau fez uma revelação que, de facto, faz todo o sentido após ter sido dita. Em entrevista ao Telegraph, Landau disse que escolheu interpretar Leonard como homossexual, algo que era muito arriscado, na altura. O actor revelou que a audácia ficou a dever-se ao facto de ser o seu primeiro filme, e por achar que o papel encaixava num segurança/assistente de um criminoso que estava apaixonado pelo próprio chefe, querendo livrar-se de Eve Kendall, interpretada por Eva Marie Saint. Esta audácia valeu-lhe o respeito do público e apesar de não ter recebido qualquer nomeação ou prémio, foi um papel que ficou na história.

Mesmo após este sucesso no cinema, o actor nunca se desligou da televisão, mantendo-se na caixa que mudou o mundo, durante os próximos 4 anos em diversos papéis por várias séries. Participa, igualmente, na série de TV, “No Limiar da Realidade” e “A Quinta Dimensão,” em dois episódios distintos, em cada um dos programas.

No entanto, tudo isto significou apenas o início, em 1966 inicia-se aquela que é considerada como uma das melhores séries de espionagem de todos os tempos, “Missão Impossível”. Landau interpreta Rollin Hand, personagem que lhe valeu o título de “Homem das 1000 Caras,” sendo na série o agente secreto especialista em maquilhagem e nos disfarces. O actor esteve em 76 episódios, espalhados por três temporadas, contracenando com a sua esposa Barbara Bain, que esteve em 78 episódios, espalhados pelo mesmo número de temporadas. Landau foi, na quarta temporada, substituído pelo também falecido Leonard Nimoy.

Durante os próximos sete anos, o actor participa maioritariamente em filmes, para o cinema e para a televisão. Não teve nenhum papel célebre durante esse conjunto de participações em filmes. Pelo meio participou numa das melhores séries de todos os tempos, “Columbo,” onde interpreta dois papéis diferentes, os irmãos gémeos Paris.

Em 1975, Landau volta a aterrar noutro êxito da televisão, marcando a mesma durante as próximas gerações. De 1975 até 1977, “Espaço: 1999,” série protagonizada por Martin Landau e Barbara Bain, apanha de surpresa o público com uma dinâmica não muito diferente de outras séries do género, mas com um argumento bastante apurado, surpresas e mudanças inesperadas nos destinos das personagens. “Espaço: 1999” criou um legado à semelhança de Star Trek, por exemplo, apesar de mais pequeno e não tão significativo, a série esteve no ar dois anos e em duas temporadas, sempre com personagens e histórias frescas.

Doravante, o actor participa num conjunto de filmes e séries de televisão, de destacar a protagonização com Woody Allen, no filme “Crimes e Escapadelas” e a participação no filme “Ed Wood” de Tim Burton, protagonizado por Johnny Depp e apoiado por Landau, que interpreta Bela Lugosi, famoso actor húngaro que se tornou famoso por interpretar o papel de Conde Drácula. Este papel valeu a Landau um Óscar da Academia, pela excelência de interpretação, dinamismo e criatividade. Apenas, em 1996, é que este fantástico actor ganha um prémio à medida do seu talento.

Apesar da avançada idade, o actor não parou, aliás antes pelo contrário. De destacar as participações nas séries de TV com projecção mundial, como “Sem Rasto,” “The Evidente,” e a “A Vedeta,” tudo isto após os anos 2000, mas não deixou os anos 90 sem contribuir num filme, que resultou de uma série de enorme sucesso, os “Ficheiros Secretos”.

Infelizmente, a 15 de Julho de 2017, Landau deixou-nos para partir para melhores viagens. É um dos grandes actores do seu tempo e confesso que é um dos meus actores preferidos. Reconhecido como um dos mais polivalentes, respeitado por todos e dono de um legado indescritível no mundo da televisão e do cinema. Até já, Martin Landau!


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Joao Braga

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