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Reportagem


You Can't Win, Charlie Brown

Antes de todos: Os You Can't Win Charlie Brown

Passeio Marítimo Algés

06/07/2017


Os You Can’t Win, Charlie Brown estão noutra liga. Perdoem o absolutismo e a eventual lapalissada para os que já tinham chegado a essa conclusão, mas carece de ser repetido: Os You Can’t Win, Charlie Brown estão noutra liga.

Não temos presente de memória a quantos concertos da banda que separa o vocativo no nome já demos cobertura. É possível que seja a campeã. Em 2011, quando gravámos um vídeo de Natal, a banda que queríamos ter a desejar-nos boas festas foram os You Can’t Win, Charlie Brown porque lhes reconhecíamos um estatuto maior. Sentimos que acertámos.

O NOS Alive ’17 já não é o primeiro rodeo dos portugueses no Passeio Marítimo de Algés. Não há hesitações a entrar em palco e quando começam, começam em força. O público está de pé e de ancas irrequietas. Os concertos à luz trazem sempre alguma inibição, mas a arma secreta de Marrow são os seus trunfos gingões. Quando terminam “Joined By The Head” as apresentações da praxe são recebidas com uma ovação. ” Isto soube-me bem,” continuava Afonso Cabral, ” vou experimentar outra vez: nós somos os  You Can’t Win, Charlie Brown,”. A ovação agiganta-se antes de anunciar que  ” a próxima canção chama-se ‘After December’.”

A faceta electro-rock da banda que, a custo, categorizávamos de indie ou folk, mas que sempre foi maior que isso, é, na nossa modesta opinião, a forma final dos You Can’t Win, Charlie Brown. É a mega digivoluição que concretiza todo o potencial que há na banda. E depois há as pequenas coisas: o saber estar em palco, o à vontade com o público, a noção do que faz um bom concerto e os anos de bagagem que permitem um alinhamento como o que trouxeram.

A certa altura confessam: “Vocês não têm noção do prazer que é tocar para esta gente toda.” É verdade, não temos. Mas que isto ainda seja surpresa para aqueles jovens em palco é-nos estranho. “Esta gente toda” devia ser o pão nosso de cada dia.

Já perto de terminar um concerto, com direito a incursões até pelo primeiro álbum da banda, em “Over The Sun/ Under The Water,” Afonso Cabral evidência a faceta festivaleira da banda que também está entusiasmada pelas bandas que vão pisar o palco principal. À medida que vai nomeando os vários artistas os aplausos e gritos de entusiasmo vão ficando mais altos, achávamos nós, atingindo o pico com The Weeknd. “Mas antes desses todos foram os You Can’t Win, Charlie Brown,” termina. E aí sim, ouviu-se o rubor mais alto do concerto. Porque faz sentido a comparação. Faz sentido olhar para a banda e achar: “sim, é este o patamar onde devem ser incluídos.”

E de volta ao princípio. A liga em que a banda joga é outra. Não é a dos portuguese token do palco principal. Vai ter que se arranjar outra e subir os You Can’t Win, Charlie Brown no cartaz. Ou se calhar fomos só nós que ouvimos o NOS Alive cantar “seems to go nowhere” durante a “Pro Procastinator.”

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(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Jorge De Almeida

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