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Reportagem


You Can't Win, Charlie Brown

Voltamos ao sítio onde já fomos felizes com eles para dali sair, mais uma vez, de coração a transbordar.

Lux

13/10/2016


Tem um sabor especial voltar ao local de onde já os vimos sair vencedores. Há cinco anos atrás estávamos ali para o arrebatador lançamento de Chromatic, o primeiro longa duração. Um ano depois, haveríamos de voltar para assistir à reinterpretação do intemporal “Velvet Underground & Nico”. Voltamos ao sítio onde já fomos felizes com eles para dali sair, mais uma vez, de coração a transbordar.

Os You Can’t Win, Charlie Brown acabaram de lançar Marrow, talvez o seu álbum mais bem conseguido até à data. Ao longo dos anos, fomos vendo a banda crescer, procurar o seu caminho sem se conformar e trazendo surpresas a cada registo. Agora, encontramo-los num vibrante e viciante registo cheio de cor e paisagens ora eletrizantes, ora reconfortantes. Mas qualquer que seja o cenário que cada música nos proporciona, há sempre mais um detalhe por descobrir entre cada camada.

O disco, que foi tocado na íntegra, ganha uma riqueza imensa ao vivo. Above the Wall, single de avanço, foi a música escolhida para começar uma noite de rendição absoluta. Seguiu-se a igualmente viciante Linger On para, do pé de dança, rapidamente nos deixarmos embalar por Mute, uma balada que nos chega em tom de grito de libertação, daquelas capazes de causar aquele desconforto de quem tem a alma a ser remexida.

You Can't Win, Charlie Brown

E porque os You Can’t Win, Charlie Brown têm uma discografia já bastante rica, obrigatório era o regresso ao passado, que começou por chegar, e já que o Inverno parece querer chegar a passos rápidos, com After (a que ninguém sabe muito bem cantar os versos finais) e Until December (com Sad Song, de tempos ainda mais antigos, a ser recordada lá pelo meio) e mais tarde com a Over the Sun / Under the Water, mítico single de Chromatic, e um dos grandes impulsionadores da banda para luzes da ribalta.

A viagem de descoberta de Marrow teve uma pausa em Pro Procrastinator, que será o próximo single. A mais rockeira do disco começa com um riff que nos cola ao chão e não nos sai da cabeça. Nestas canções mais longas, ainda é mais notória as voltas que uma música pode dar, mergulhando rapidamente em sons mais funk.

Ainda faltava uma do disco novo e uma antiga das que toda a gente quer ouvir. A doce Be My World logo seguida por Bones encerram uma noite que passou a correr.

Fórmula para o sucesso? Seis músicos incrivelmente talentosos, que se conhecem bem, ao ponto de tirar partido do que cada um tem de melhor. Parece que, ao fim destes anos, os You Can’t Win, Charlie Brown estão no pico da sua forma, tal como os melhores vinhos do Porto que só melhoram com a idade.

Galeria


(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Claudia Filipe

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