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Reportagem


VOA – 2º dia

O segundo dia trouxe ainda mais calor e uma sonoridade mais feroz à Quinta da Marialva.

06/08/2016


O segundo dia trouxe ainda mais calor e uma sonoridade mais feroz à Quinta da Marialva. Neste sábado de metal em Corroios, o recinto encheu, ainda que o público não se aglomerasse perto do palco e tentasse abrigar-se debaixo de qualquer sombrinha disponível.

Abbath, a banda com o mesmo nome do vocalista Abbath Doom Oculta, ex-Immortal, deu o primeiro grande concerto do dia. Debaixo de um sol que em nada se coaduna com a sua estética, a banda deu o máximo de si e o público respondeu em peso. A festa começou com “To War!”, faixa rápida que abre o recente álbum de estreia do projecto. O curto concerto girou em torno deste e em versões de Immortal, um dos pilares do black metal. A teatralidade e sentido de humor é algo que caracteriza bem Abbath. Além das vestes a rigor, ainda que provavelmente não sendo a melhor escolha para o tempo que se fazia sentir, o ex-frontman de Immortal não se poupou em interpelações ao público.

O tempo quente não foi impeditivo de alguns circle pits, algo obrigatório nas aceleradas “Count the Dead” ou “Ashes of the Damned”. Um concerto que serviu como um bom aperitivo, esperando-se que a banda regresse em nome próprio, num ambiente que lhe seja mais propício.

Abbath

Abbath

Os britânicos Paradise Lost, nome maior do doom metal, quebraram um pouco o ambiente da noite para acalmar as hostes e apelar ao headbang. A segunda, “Honesty in Death” remete a Tragic Idol, um excelente álbum da banda que cultiva as raízes mais doom e cruas do seu início de carreira. Entretanto Nick Holmes aborda o público e farta-se de elogiar a cerveja (Super Bock). Segue-se “Erased” e “One Second”, do álbum com o mesmo nome. “Rapture” volta a trazer a nostalgia, recuando a Gothic, de 1991 e provoca turbulência no público.

Voltamos a 1992 com “As I Die”, do álbum Shades of God. Após uma curta saída do palco, Nick Holmes e companhia regressam enquanto o vocalista pede para elevarmos os horns, para “some instagram shit”. A foto da praxe é tirada e tocam outra faixa bem conhecida, “Embers Fire”, do mítico Icon. “Flesh From Bone” do novo registo e “Pity the Sadness” geram pequenos circle pits e algum mosh, e a noite dos ingleses termina com “The Last Time” um dos seus temas mais marcantes.

Kreator

Kreator

A fechar o certame estavam os thrashers Kreator. Os alemães desdobraram-se em clássicos como “Enemy of God” de 2005 e a brutalíssima “Extreme Aggression”, de 1989. Em “Terrible Certainty”, o vocalista Mille Petrozza incita ao mosh desde o início ao fim da plateia, o que origina um gigante circle pit. “Flag of Hate” é de 1985 mas parece que o tempo não passou por ela. Gerações diferentes celebram a festa do thrash metal old school com um circle pit que se arrasta por quase todo o recinto. Mille Petrozza grita por mais moshpit e os presentes não vacilam. No final explodem os efeitos de fogo e fumo e uma camada de confettis. Depois de um extenso alinhamento, terminam com “Betrayal” e “Until Our Paths Cross Again”. Uma aposta conseguida que não defraudou quem estava presente. O festival termina com uma edição bem sucedida, num local de feição para concertos deste calibre mas que deixa margem para a organização melhorar certos aspectos. Nós cá esperamos 2017 com expectativa.

Galeria


(Fotos por Paulo Tavares)

sobre o autor

Andreia Vieira da Silva

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