Reportagem


Alex D’Alva Teixeira, Leviatã, Delorean, Holy Nothing, Octa Push, DJ Firmeza

Verão nas Termas

Parque das Termas de Caldelas

18/06/2016


© Vira Pop x Amílcar Rodrigues

Caldelas fica no coração verde do Minho, no Concelho de Amares, ali bem juntinho a Braga. Reconhecida a nível nacional pelas suas termas, vê também o seu nome integrado na vida do Chefe António Silva – nome maior da culinária nacional. Ali ao lado, na Freguesia de Fiscal, nascia em 1944 um dos mais influentes artistas de todos os tempos: António Variações. Mas, em 2015, o panorama cultural desta pequena localidade mudou e para melhor.

O Vira Pop regressou este ano para sua segunda edição, para mais um dia de música para malta de bem com a vida. Ou não tivesse a organização assumido (de corpo e alma) a designação “Festão”. Quando cheguei, no final do empate a 0 do jogo Portugal-Áustria no Euro 2016, foi com muita pena que percebi a incrível actuação dos Pista, com uma perninha do talentoso Alex D’Alva Teixeira, que na noite anterior integrou a festa de warm up como dj. Segundo a voz popular, “o Alex estava rijo” – uma afirmação que diz muito sobre o performer.

Cheguei mesmo a tempo de matar saudades dos Leviatã, promessa da música nacional que poderá ganhar asas e voar largas distâncias. Electrónica que desconstrói e reconstrói com colagem de sons, que aqueceu ao início da noite. E logo depois, chegavam os Delorean. O regresso dos bravos espanhóis a território nacional é muito curioso, pois se  foram pioneiros na música dançável e sintetizada com instrumentos ditos “clássicos” (bateria e guitarras) à mistura, estão hoje em dia rodeados de propostas que seguem a sua linha estética e musical. Aliás, prova disso, foram os dois nomes que se seguiram: Holy Nothing e Octa Push, dois projectos que poderiam perfeitamente ser herdeiros dos sons dos bascos.

A noite prosseguiu sempre neste tom dançável e de festa entre amigos, tendo como ponto maior a apresentação de DJ Firmeza, que aos 21 anos está a mostrar ao mundo a fórmula certa para encher a electrónica de apontamentos étnicos e culturais, revelando ainda uma faceta escondida da nossa Lisboa.

Da localização impecável do espaço à oferta da restauração tradicional e local, passando pela gentil disponibilização de transfer entre a cidade de Braga e a localidade de Caldelas, todo o balanço deste Vira Pop é para lá de positivo. Resta-nos acreditar que em 2017 se irão superar.


sobre o autor

Isabel Leirós

“Oh, there is thunder in our hearts” – Fernando Pessoa

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