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Reportagem


The Black Angels

Partir para outros prados

NOS Primavera Sound

10/06/2017


A procissão há muito que deixou o adro quando é hora dos Black Angels entrarem em palco. Para muitos, são os últimos cartuchos do festival que termina com uma escolha complicada. Não tão atroz como ter que escolher entre Bon Iver, Julien Baker ou Swans, mas, ainda assim, foi com o coração pesado que tivemos que preterir Aphex Twin e Against Me! (desculpa, Laura) em favor dos texanos.

Depois da surpresa que foi o concerto de King Gizzard & The Lizzard Wizard no dia anterior, esperávamos com ansiedade por mais uma debandada de rock psicadélico.

E esperar assim o fizemos. Problemas técnicos com o projector atrasaram o concerto dez minutos. É Christian Bland, guitarrista, que pede desculpas quando finalmente entram em palco.

O soundcheck havia sido feito uns escassos 20 minutos antes da hora marcada. A pressa terá sido, como costuma ser, inimiga da perfeição e “Currency” acabou vítima de uma voz e baixo que pareciam relegados para segundo plano.

O problema seria eventualmente corrigido e os Black Angels recompuseram-se. Com Death Song e Passover a ditarem o alinhamento, o quinteto apresentou o seu rock mais fastiento e denso. De fora ficaram os temas portentosos de Indigo Meadow por razões que não sabemos explicar. Temas como “Evil Things” teriam sido bem-vindos para espevitar um espetáculo que, ainda que consistente e em sentido crescente, teria beneficiado de mais dinamismo. A voz de Alex Mass, por muito hipnotizante que seja, tende a beneficiar da pontual dissonância agressiva das guitarradas de outros temas do catálogo.

Enfim, com limões há que fazer limonada. Saca-se das mortalhas, deixam-se cair filtros no chão, pede-se isqueiro a quem tem e aprecia-se o resto da viagem. São formas de estar na vida.

O concerto The Black Angels acaba por não ser o que se esperava, mas não tinha que ser. E o que foi, fez valer a escolha.

Mas podemos ter Indigo Meadow para a próxima?

Galeria


(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Jorge De Almeida

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