MENUMENU

Reportagem


Steven Wilson

O corvo que se recusava a cantar

Sala Tejo / MEO Arena

15/09/2015


Com a desculpa de apresentação do seu mais recente e muito aclamado trabalho Hand. Cannot. Erase, o também recentemente proclamado rei do rock progressivo fez a sua estreia enquanto artista a solo aqui por terras de descobridores e exploradores.

Haviam muitas expectativas antes do concerto e motivos não faltavam para tal. Como já foi referido, era a estreia de Steven Wilson em Portugal; retomava ali também a tour de apresentação do novo álbum, tão perto do rio onde começou a descoberta do mundo moderno e, para o público mais atento, era uma oportunidade de perceber se as escolhas de Steven Wilson para substituir Guthrie Govan e Marco Minnemann, Dave Kilminster e Craig Blundell respectivamente, cumpriam bem o árduo papel. Ao início notou-se alguma insegurança por parte do baterista que rapidamente foi ultrapassada e quanto ao novo guitarrista não houve nada a apontar, apenas no seu solo em Ancestral se sentiu um ou dois erros mas deu para perceber que foram causados por uma dificuldade em se ouvir nesse momento (culpa maior do técnico de som, mas nada de especial).

Mal o concerto tinha começado, Steven apressou-se a pedir desculpa por ter demorado tanto a chegar com o seu trabalho a solo a Portugal. Os momentos de conversa no início do espectáculo até foram mais do que se esperaria mas nem por isso exagerados, de sublinhar quando o músico introduziu Routine e explicou que infelizmente Ninet Tayeb não estava presente fisicamente mas iria estar numa qualquer “piece of Apple technology” escondida algures no palco, admitindo saber que usar essas técnicas é fazer batota. Pouco depois acabou também por confessar que a banda estava toda um pouco nervosa por já não tocar há algum tempo, mas isso apenas pareceu ter servido como um tónico para mandar os nervos embora, a partir daí para a frente houve muito menos falas, poucas ou nenhumas falhas e entrámos na melhor fase da noite.

Bem fizeram todos aqueles que se prepararam para o concerto ouvindo todos os projectos de Steven Wilson uma vez que se ouviu também Temporal, do projecto Bass Communion, como introdução para o primeiro encore, talvez a fazer algum paralelismo às condições meteorológicas lá fora. E primeiro encore porque houve direito a dois, que assentaram completamente em músicas de trabalhos mais antigos, incluído muitas de Porcupine Tree, como foram os casos de The Sound of Muzak, com um refrão a ser cantado em dueto com o público; Sleep Together; Open Car, a qual o músico introduziu afirmando que achava que o público português era algo metaleiro e, ainda antes dos encores, Lazarus, que foi apresentada como tendo sido composta para um filme que infelizmente nunca foi realizado, sendo também o momento mais tocante do concerto, empurrada pela explicação introdutória e pelo belo vídeo. A parte audiovisual foi também importante e ajudou bastante o desenrolar do espectáculo, que terminou com The Raven That Refuses To Sing e mais um excelente vídeo.

Foi um espectáculo inteiramente digno desse nome, belos vídeos, belo som, belas músicas, um sistema surround e um público bastante ecléctico e a cobrir todas as faixas etárias. Esperemos que não tenha desiludido Steven Wilson e que ele visite Portugal mais frequentemente.

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(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Joao Neves

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