MENUMENU

Reportagem


Slayer + Rasgo

Coliseu dos Recreios

05/06/2017


A semana começou da melhor maneira com o regresso de 1/4 dos Big Four: os norte-americanos Slayer voltaram a pisar território português e nada melhor do que na sala com melhor acústica de Lisboa. À entrada, o público era revisto de forma criteriosa: correntes, isqueiros e outros objectos considerados como armas de arremesso eram convidados a ficar à porta. A onda de terror que tem assolado concertos assim o obriga. No entanto, uma revista demasiado zelosa, como comentavam alguns metaleiros que teriam que se despedir dos acessórios caso quisessem asistir ao concerto.

A primeira parte da noite esteve a cargo dos portugueses RASGO, banda que integra elementos que já passaram por Tara Perdida e Shadowsphere e mistura o thrash e o crossover. Em pouco mais de meia hora a banda deu tudo o que tinha no concerto de estreia. O público pareceu aprovar e as poucas pessoas que iam entrado no recinto faziam a festa e aplaudiam. O vocalista Paulo Gonçalves anuncia “Nós somos os Rasgo e comigo vocês gritam: Puxa!” e podemos ouvir o público a responder em peso. No final, mesmo num curto espaço de tempo, deu para ver que esta banda vai dar que falar nos próximos tempos.

A partir daqui, esperamos pela banda da noite. A espera longa sente-se com impaciência e só depois das 22h é que o colectivo de Tom Araya dá sinal de vida. Com “Delusions of Saviour”, intro que dá início também no novo registo da banda, os corações palpitam, ainda sem ninguém em palco. No fundo, está a imagem de Repentless. Segue-se a faixa que empresta nome ao álbum e desde logo se gera um tumulto por toda plateia. O Coliseu está bem composto, principalmente na plateia e balcão. Praticamente ninguém quis assistir a Slayer num camarote.

“The Antichrist” não lhe fica atrás e é lançada numa jorrada de thrash metal, sem tempo a perder. Sem ainda se terem dirigido a nós, continuam com um dos hinos, “Disciple”, em que podemos repetir com Tom Araya, a plenos pulmões, que “God hates us all”. Imparável, o circle pit. Segue-se um regresso a Reign in Blood com “Postmortem”. “War Ensemble” é um tema inquestionável que o público conhece bem. Voltamos aos anos 80 e ao pico do thrash metal. A plateia que ainda não parou de girar conta com muitos metaleiros de várias idades. Podemos ver que alguns da velha guarda conhecem Slayer como a palma da mão e passados tantos anos ainda lhes têm o mesmo amor.

O álbum novo não pode ficar de fora e temos duas amostras: “When the Stillness Comes” e “You Against You”. Em “Die By the Sword” a luz do recinto apagou-se na sua totalidade e por momentos quem se dedicava ao mosh fazia-o de forma cega. Não demorou até que o Coliseu de inundasse de telemóveis com lanternas ligadas e por momentos a banda tocou à luz dos nossos smartphones.

Um concerto de uma banda com tantos anos de carreira não pode nunca focar-se apenas em temas recentes, caso contrário saberia a pouco. Por isso, nesta noite ouvimos muito registos clássicos, como Show no Mercy, Seasons in the Abyss ou Hell Awaits. Antes de “Dead Skin Mask”, ou a “balada de amor” como lhe chamou Tom Araya, o mesmo dirigiu-se ao público dizendo que a banda adorava tocar e tocava para nós. Ouviu-se “Black Magic”, “Seasons in the Abyss” e “Hell Awaits”.

No encore, que à moda do thrash não demorou a fazer-se ouvir, resultou “South of Heaven”, “Raining Blood” e “Angel of Death”, talvez as faixas mais emblemáticas e que fizeram explodir a plateia. No final a banda despediu-se e Kerry King foi quem mais se demorou, distribuindo palhetas e aplausos. A banda já não é a mesma – Jeff Hanneman morreu e Dave Lombardo foi despedido, tudo em 2013 – mas a essência continua lá. E quem esteve lá, certamente concordará.

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(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Andreia Vieira da Silva

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