MENUMENU

Reportagem


Skepta

Muita luz, mas faltou um certo brilho

Lisboa ao Vivo

30/11/2018


© Laurent Bentil

Na passada sexta-feira encontrámos o Lisboa ao Vivo esgotado para receber Skepta com toda a “energy! energy!” que o expoente máximo do grime merecia. Antes do concerto começar fez-se um longo aquecimento com vários MCs britânicos: Lancey Fouxm, LD e Frisco actuaram separadamente e aceleraram o público maioritariamente jovem, que respondia cheio de entusiasmo, até nos intervalos em que DJ Maximum ia desfilando bangers, onde se chegou a ouvir “Drunfos” de Allen Halloween e aquele remix para “Mo Bamba” de Sheck Wes cantado em euforia, que proporcionou um dos momentos que melhor recordamos da noite.

Quando Skepta pisou por fim o palco do LAV o público estava bem aceso e a festa já ia longa, ainda assim, todos os presentes estavam preparados para muito mais do que a parca hora de concerto que o london boy tinha reservado para Lisboa. Uma setlist que a olho até nos pareceu generosa (cerca de 18 músicas se não nos enganámos) mas que ficou curta (sobretudo no encore mais pedido de sempre a que o rapper não acedeu) e que começou sem cerimónias com uma versão reduzida para “Praise the Lord (Da Shine)”, para despachar logo um dos hits seguramente mais aguardados (mesmo tratando-se de um original de A$AP Rocky), seguida da explosão de “That’s Not Me” – um começo claro de que pela frente nos esperava um concerto muito energético.

Para ajudar ao frenesim havia uma iluminação de palco muito bem desenhada, com um jogo de luzes vibrante, por vezes até algo agressivo aos sentidos (não foi por acaso que a organização sensibilizou horas antes o público de que o espetáculo não era recomendado a pessoas que sofressem de epilepsia), com feixes de lasers a varrer a plateia que se misturavam com o hoodie neon de Skepta – imagem de marca desta SK Level tour que teve também muita escolha de merchandise, para todos os que quiseram transpor essa incandescência para o seu look diário.

Até aqui tudo certo para um concerto inesquecível, que ajudasse a esquecer os momentos conturbados que Skepta viveu este Verão nas margens da Praia do Taboão (Coura não percebes o grime…), mas ainda assim insuficiente para superar a bomba que o rapper largou há dois anos atrás no NOS Primavera Sound. Estará a nossa memória a pregar-nos partidas ou realmente o Skepta que vimos no Porto foi mais incendiário? Terá sido na altura o factor estreia a jogar a seu favor? Terão faltado desta vez mais músicas de Konnichiwa? Estariam as nossas expectativas demasiado altas?

Foi o concerto de passada sexta-feira mau? Não, de todo. Mas faltou, parece-nos, mais garra e atitude do rapper que mesmo tendo músicas demolidoras como: “Shutdown” a penúltima da noite e que é capaz de rebentar com qualquer moshpit; “Ace Hood Flow” que colocou tanto novos, com fãs velha guarda a gritar “BBK”; “Crime Riddim” com toda a gente a levantar bem alto o “middle finger” e a soltar um sonoro “fuck the law”; entre tantas outras, dizíamos nós que, mesmo com todas estas músicas infalíveis – verdadeiras sovas sonoras de letras corrosivas e batidas pujantes (aquele riff retirado a “Regular John” para “Man” foi das melhores “usurpações” que já vimos ser feitas a Josh Homme), mesmo com tudo isto faltou algum brilho a Skepta na passada sexta-feira. Faltou ao rapper conseguir convencer-nos por completo (como já o fez anteriormente) de que a passada sexta-feira não era apenas mais uma noite no seu calendário de concertos. E sim, ficou a dever-nos aquele encore.


sobre o autor

Vera Brito

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