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Reportagem


Savages

Isto é o que temos quando nos metemos com as Savages

Passeio Marítimo Algés

07/07/2017


Fomos enganados em relação a Savages. A fachada blasé das inglesas fez-nos crer que iríamos assistir a um concerto de cigarro na boca. Mesmo em frente ao palco, convencemo-nos que ali estamos seguros, não há perigo de mosh, pois não?

Vivendo e aprendendo.

A primeira a entrar em palco é a guitarrista Gemma Thompson, a mais concentradissima das quatro durante todo o concerto. Dá a banda sonora para se fazer acompanhar de Ayse Hassan, no baixo, e de Fay “ Arma Secreta” Milton, senhora da bateria. Mas é quando, por último, Jehnny Beth completa o puzzle que as Savages ganham vida.

“I Am Here” arranca com garra e traça o rumo que o concerto há-de tomar. Um trajecto em crescendo de volume e tumulto. O pós-punk das Savages que poderia fazer lembrar uns Joy Divison mais militantes, ao vivo dá lugar a um groove inusitado que põe o palco Heineken aos pulos.

A alter-ego da francesa Camille Berthomier agradece ao público: “Thank you for coming early, guys.” E essa gratidão seria devolvida.

Incitar à loucura não é uma prática que aconselhemos, mas vamos perdoar. A luz do dia não é amiga do caos, mas Jenny dá-lhe uma ajuda indicando o movimento circular do mosh que haveria de nos envolver. Claro que ter a fama sem o proveito não sabe ao mesmo, pelo que quando vemos a vocalista sentar-se na borda do palco e a descalçar os sapatos vermelhos adivinhamos o que está para acontecer.

Com a leveza de um messias sobre a água, a front woman das Savages caminha, surfa e é carregada em joelhos pelo público. A certa altura ouvimos “ toquei-lhe no pézinho” de uma fã entusiasmada. Já nasceram religiões por menos.

“I Need Something New”, “No Face”, “Adore” e “Fuckers” foram incontornavelmente catárticos. Na setlist que se distribuía intercaladamente pelos dois álbuns, não houve espaço para filler. Seria injusto para a relação que banda mantém com o público português.

“Portugal is a very special place for us,” explica. “It was in Porto that our second album came to us.”

Savages terminam com a fúria desmedida de “Fuckers”, hino para quem já se sentiu rebaixado, e elevam a fasquia para si mesmas. Se esta visita a Portugal não der mais um álbum, então o que dará?

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(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Jorge De Almeida

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