MENUMENU

Reportagem


Rock In Rio-Lisboa

Parque da Bela Vista

29/05/2016


Domingo, 29 de Maio de 2016 e chegávamos ao término dos festejos de 30 anos de Rock In Rio na cidade de Lisboa. Apesar de uma edição bastante atribulada, já até com o cancelamento do concerto de Ariana Grande agendado para este dia, a festa prometia acabar em grande com o concerto do produtor sueco Avicii. No Palco Vodafone o “warm-up” prometia pelo menos ser muito variado e eclético, com três concertos estilisticamente bem distintos.

Como entrada no Palco Vodafone foi servido o cada vez mais reconhecido e reconhecível electro-pop da portuguesa Isaura. Para além de apresentar as músicas do seu EP de estreia Serendepity e algumas das músicas “soltas” que tem vindo a lançar, entre elas Useless ou a mais conhecida Change It, aproveitou também para mostrar algumas versões. De todos os dias de festival este foi o concerto de abertura com mais assistência e o público acabou por sair bem satisfeito com uma atuação irrepreensível da artista que promete bastante para um futuro não tão longínquo quanto isso, certamente.

Ainda nem os instrumentos do palco de Isaura tinham sido removidos e já o palco de B Fachada estava praticamente montado, não por desorganização ou por complexidade do equipamento de Isaura, mas sim pela extrema simplicidade do de B Fachada, um pequeno teclado Hofner, um sampler e dois ou três pedais… simples e eficiente. Com o seu estilo de apresentação bem característico fizeram parte do alinhamento algumas das mais famosas canções, como Quem Quer Fumar com o B Fachada, Como Calha, Estar à Espera ou Procurar e ainda Tó-Zé. Na performance estiveram também presentes algumas piadas sobre o significado da enorme fila que estava na lateral do palco, “será para o backstage?”, ou sobre as pessoas que vêem as novelas e não sabiam o que ele estava ali a fazer. Aos primeiros disparos sonoros do sampler houve por entre a plateia alguns comentários do género “grande grave!”, mas talvez não tenha sido essa a justificação para mais um problema técnico a acontecer nesta edição do Rock In Rio, subitamente, e sem qualquer justificação aparente, pareceu que toda a eletricidade no palco foi abaixo, deixando mais uma vez tudo sem luz e som e uma enorme estupefação na audiência. Mas B Fachada resolveu bem a questão e enquanto a eletricidade vinha e não vinha chegou-se à frente no palco e acabou a canção à capella e sem qualquer amplificação, puxando pura e simplesmente da sua voz. Felizmente desta vez o problema foi rápido a resolver e não voltou a acontecer, podendo assim o concerto prosseguir.

O último concerto desta edição do Rock In Rio Lisboa neste palco ficou entregue a nostros hermanos. Vindas de Madrid, as Hinds ficaram com a árdua tarefa de fechar os concertos no palco que este ano esteve repleto de qualidade. Abrindo um pouco a medo e com dúvidas se seria melhor interagir com o público em espanhol ou em inglês, foram começando a ficar mais descontraídas à medida que iam desvendando o seu novo álbum Leave Me Alone, tocando músicas como Garden, Chili Town ou Warts, não se ficando só por este e tendo tocado músicas também do seu primeiro trabalho Very Best Of Hinds So Far, como Bamboo, por exemplo. Tal como B Fachada já tinha feito antes, também no concerto das Hinds houve referência a atividades sexuais, com estas a darem a sugestão para a noite que estava para vir.

A meio já estava o concerto de Charlie Puth que se fazia acompanhar pelo seu piano e por um estilo bem ao jeito de Jamie Cullum mas muito mais virado para o pop e menos para o jazzístico. O concerto viria a terminar com One Call Away, single que o cantor confessou ter composto em apenas dez minutos e que esse curto espaço temporal lhe mudou toda a vida.

Colmatando o cancelamento de Ariana Grande, Ivete Sangalo voltou a subir ao Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa proporcionando o momento dejá vu do dia anterior. De frisar as vezes em que a cantora brasileira explicou o sucedido com Ariana pedindo ao público compreensão, explicando como a americana se estava a sentir e desejando-lhe as melhoras, justificando também o que se tinha passado na noite anterior quando membros da organização foram ao seu camarim explicar o sucedido e pedindo-lhe para atuar também neste dia.

Para fechar o palco principal em mais uma edição do Rock In Rio-Lisboa Avicii foi convocado, fazendo assim também a sua estreia em atuações por Portugal. No meio de um alto balcão posicionado milimetricamente no centro do Palco Mundo, o sueco proporcionou um espetáculo também ele milimetricamente preparado, dotado de um som altamente pujante que tornava difícil resistir aos impulsos dançantes gerados naqueles muitos corpos, ainda mais juntando um espetáculo visual irrepreensível e com tudo o que se possa imaginar, luzes, fogo de artifício, lasers e um vídeo absolutamente incrível projetado por todo o palco, parecendo muitas vezes que o próprio Avicii estava a navegar num qualquer mundo paralelo. Do set fizeram parte grandes hits e bem rodados em algumas rádios nacionais, como Wake Me Up, Addicted To You ou Hey Brother, para além de outras menos rodadas como Waiting For Love, Touch Me, City Lights ou The Nights.

Esta não foi a edição mais feliz do Rock In Rio-Lisboa, com muitos imprevistos a acontecerem, apesar de tudo fechou com chave de ouro e com o público em êxtase. De qualquer das formas ficou já a confirmação que para 2018 haverá mais, portanto podem começar as apostas dos nomes que passarão pela Bela Vista.

Galeria


(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Joao Neves

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