MENUMENU

Reportagem


Rock In Rio-Lisboa

Parque da Bela Vista

28/05/2016


A contagem de dias de espectáculos no Rock In Rio já começa a ficar grande. O quarto dia do festival contava com nomes como Maroon 5 e Ivete Sangalo no Palco Mundo e Real Estate e Capitão Fausto no Palco Vodafone, os dois maiores palcos do festival.

Como habitualmente, a música no parque da Bela Vista começava um pouco antes das cinco da tarde no Palco Vodafone com uma banda portuguesa “jovem promessa”. Como costume, também o público a essa hora era pouco mais que os vários repórteres e pessoas ligadas à organização do evento, mas nem isso preocupou os lisboetas Mighty Sands, provavelmente a mais “tenra” banda de todos os dias a abrir o festival. Subiram para o palco sem quaisquer receios e começaram logo por atacar os presentes e cativar a audiência espalhada pelo recinto com Cacti, a sua música instrumental que abre também o seu primeiro EP Big Pink, Vol.1. As primeiras melodias das guitarras sustentadas pelo órgão tranquilizador e uma bateria e baixo apelativos tiveram como efeito a já normal debandada em aproximação ao palco. Sem muito por onde escolher visto ser uma banda em início de carreira, o alinhamento assentou essencialmente no seu EP de estreia com músicas como 100 Villians ou Luckee Bag, mas houve também oportunidade para mostrar material novo. O momento alto foi alcançado com DK, deixando o público todo apaixonado e a cantar em coro “I love you more then ever before”. Houve ainda tempo para convidar Salvador, o baterista dos Capitão Fausto (a banda que se seguia) para ajudar a tocar congas numa música.

Acabado o concerto de Mighty Sands e com já alguma confessa pressão por parte da organização para que o tempo não apertasse, era tempo dos Capitão Fausto entrarem em palco para contarem mais umas quantas das suas horas. Por esta altura o parque da Bela Vista também contava com a maior enchente de todos os dias naquele horário, afinal de contas também era o primeiro dia durante o fim-de-semana. Aproveitando a boleia dessa enchente os Capitão Fausto acabaram por ter a maior audiência daquele palco naquele horário. A actuação assentou acima de tudo no seu mais recente e mais eclético álbum, lançado há apenas alguns meses, e músicas como Morro na Praia ou Amanhã Tou Melhor provaram já estar completamente integradas no cancioneiro dos fãs da banda que tocou também, dos temas mais recentes, alguns como Mil e Quinze, Alvalade Chama Por Mim ou Corázon. As novas canções foram também intercaladas e por vezes misturadas com músicas vindas de Pesar o Sol e Gazela, como Maneiras Más, Célebre Batalha de Formariz ou Sobremesa. A banda mostrou estar em palco bastante divertida, especialmente o Tomás que apresentou os restantes membros confessando a sua imensa amizade por eles.

A chuva ameaçava cada vez mais e a vista, pelo menos se olhássemos para cima, começava a não ser tão bela quanto isso, já estava tudo pronto para os Real Estate entrarem em palco quando começaram a cair os primeiros pingos de chuva, o que fez o staff ter de chegar todo o equipamento no palco um pouco para trás. O concerto acabou por começar com esta ameaça eminente e que poucos minutos depois se viria a tornar real, a chuva começava a cair com bastante intensidade o que fez por breves instantes com que o público fugisse e se abrigasse onde podia, por momentos foram mesmo poucos os que ficaram em frente do palco, mas rapidamente a audiência percebeu que não havia escapatória possível e que o melhor mesmo seria aproveitar o excelente concerto que os norte americanos estavam ali a proporcionar. Foram incansáveis as vezes em que a banda agradeceu o facto de ficarem a ver o concerto mesmo com aquelas condições e rapidamente também a organização distribuiu protecções de plástico para quem ali queria ficar. A banda aproveitou para mostrar muitas músicas novas a saírem em breve e que, por isso, não eram conhecidas daquele público, mas foi um bom teste. Crime, Had To Hear e It’s Real fizeram também parte do alinhamento e de grande parte das delícias dos presentes, mas o apogeu foi com Talking Backwards.

Era provavelmente o dia do Rock in Rio mais dedicado ao sexo feminino e por esta hora os portugueses D.A.M.A. já actuavam no palco principal fazendo as delícias especialmente do público mais jovem. Ainda que em português, não era fácil de entender as letras e ainda menos o significado delas para quem pior conhece o trabalho do trio, mas esse público mais jovem parecia compreender tudo na perfeição cantando as músicas em uníssono. O cartaz dava conta da participação especial de Gabriel o Pensador, e isso aconteceu por exemplo em Não Faço Questão, tema em que o brasileiro colaborou com os portugueses.

Seguiu-se o provável momento pensado para as mães das raparigas que queriam ver os D.A.M.A., a brasileira Ivete Sangalo subia ao palco do festival nascido no seu país natal, e apesar de tudo a esperança de levantar poeira já tinha sido dissipada por toda a água que tinha caído ao final da tarde e que ainda voltou a cair durante o seu concerto. Nesta altura a preocupação era mais não esbarrar na relva molhada ou na lama que se acumulava aqui e ali. Foi um excelente espectáculo e o público aderiu praticamente sempre à efusividade da brasileira que ainda teve tempo para um momento mais sério em que falou da situação que o seu país está a viver, foram muitas também as declarações de amor a Portugal e especialmente a Lisboa, que afirmou já considerar sua. Mesmo apesar da chuva, canções como Quando A Chuva Passar não fizeram parte do alinhamento, alinhamento esse que foi bem mais alegre e mexido, bem ao estilo brasileiro, incluindo até uma versão de Could You Be Loved de Bob Marley e terminando, aí sim, com Sorte Grande e a sua sugestão para levantar poeira.

Acabado que estava o concerto da brasileira era tempo para o momento das irmãs mais velhas. O concerto de Maroon 5 estava prestes a começar e a banda parecia ter conseguido que a chuva fosse embora e não mais voltasse. Não faltaram os momentos românticos ao longo do concerto, empurrados por músicas como Sugar ou She Will Be Loved, não faltaram também as mais antigas e mais consensuais This Love, Makes Me Wonder ou Sunday Morning que marcavam os tempos mais funk da banda e não tão pop, Animals e Moves Like Jagger acabaram também por ser entoados por aquela enorme massa de pessoas. Apesar da vertente mais pop que pelos dias de hoje a banda tem, a performance em palco não deixou de valer a pena e os solos de guitarra tanto de James Valentine como do próprio Adam Levine, que esporadicamente pegava na guitarra, foram uma constante e meticulosamente bem executados, para além de não se limitarem a tocar as músicas tal e qual como foram gravadas para os respetivos álbuns, o que é tantas vezes usado como recurso nestas áreas da música.

Um quarto dia de Rock In Rio em que a chuva acabou por aparecer mas nem por isso estragou a festa. Com números de assistência a ultrapassar a enchente de Queen e Adam Lambert, a diferença desta vez foi o facto do recinto estar bem cheio muito mais cedo, o que acabou por ser uma mais-valia para os palcos secundários.

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(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Joao Neves

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