MENUMENU

Reportagem


Rock In Rio

Girl Power

Parque da Bela Vista

30/06/2018


© Agência Zero

Chegado o último dia da edição de 2018 do Rock in Rio Lisboa e, no Palco Mundo, as principais atrações eram 100% femininas, com a californiana Katy Perry à cabeça.

A noite prometia arrefecer (e ainda nem sabíamos bem o quanto), mas o concerto de Carlão ao final da tarde no Palco Music Valley ainda contou com muito calor, com o músico de Almada a incendiar a plateia com o, já significativo, número de canções desde que toca a solo e, também, quando em tom de brincadeira, levou o assunto do jogo da seleção para o clubismo. Futebol à parte,  Carlão arrancou uma bastante positiva versão de Dialectos da Ternura e revelou igualmente ter descoberto que tinha um irmão mais novo, chamando em seguida Slow J ao palco para um dueto.

No Palco Mundo, o “furacão do Brasil” Ivete Sangalo, com o seu concerto antecipado devido à transmissão do jogo de Portugal, tinha a função de nos fazer aquecer para o que aí vinha. Visto esse aquecimento ter a possibilidade de se vir a revelar um pouco difícil tendo em conta todos os nervos que percorriam o público, a brasileira precaveu-se bem e trouxe consigo, qual “gasolina”, uma convidada bem especial, Daniela Mercury, com uma dedicatória e agradecimento especial por tudo o que esta tem feito pela música brasileira.

Chegada era a hora e, apesar de ter sido uma confirmação de última hora, o jogo de futebol que opunha a selecção nacional Portuguesa com a do Uruguai, rapidamente se tornou numa das atracções principais para o último dia do festival. O concerto de Ivete terminou mesmo “em cima do joelho” e quando os ecrãs começaram a mostrar imagens vindas da Rússia já a bola estava no meio campo pronta para começar a ser jogada. Não houve sequer tempo para os hinos nacionais.

Com os comentários de Simão Sabrosa a soarem nas colunas do recinto – jogador que nos deu tantas alegrias há uns quantos anos – sofreu-se a bom sofrer. A seleção acabou eliminada, o que acabou por arrefecer bastante o ambiente, mas rapidamente se fizeram ouvir os merecidos aplausos à equipa nacional que se bateu com todas as suas armas.

A tarefa de animar a audiência, depois deste desaire, não era nada fácil mas Jessie J estava encarregue de pelo menos o tentar fazer.

Espalhando simpatia pelo palco durante todo o concerto, fazendo-se acompanhar por uma banda fantástica e recorrendo muitas vezes ao excelente guitarrista brasileiro, Mateus Asato, que toca com ela, a cantora conseguiu mesmo aquecer a noite. Entre conversas com quem ia fazendo slide bem por cima do palco, desabafos e palavras encorajadoras para o público, a cantora de Price Tag – canção cuja versão rearranjada acabou por não ser dos momentos altos do concerto – surpreendeu-nos pela sua simpatia e simplicidade, mas também pelos excelentes dotes vocais e pelo excelente concerto que proporcionou. Arrecadou a nota 10 na capacidade de nos fazer esquecer a eliminação de Portugal.

Era chegada então a hora de Katy Perry fechar a edição de 2018 do festival. Longe das duas enchentes vistas na semana anterior e apesar de facilmente conseguirmos chegar bem mais perto do palco do que nesses dias, o Parque da Bela Vista tinha ainda assim uma audiência bastante razoável.

Se apesar da derrota Portugal se bateu bem e não desiludiu,  o mesmo já não se pode dizer da norte americana que era a atração principal da noite. Mesmo depois do excelente trabalho de recuperação dos ânimos feito por Jessie J, Katy Perry consegui voltar a mandá-los abaixo, com um concerto tedioso, com muito pouco de música e com a cantora a passar a maior parte do tempo a parecer que estava a fazer um favor em palco.

Um concerto em que apesar de ter tocado todos os êxitos que rodam sem fim pelas rádios do mundo houve muito pouco de música. Foi mais o tempo em que a cantora trocou de roupa ou se preocupou em que ela ou os bailarinos não falhassem os passos do que cantou. Sem qualquer crítica a esses outros aspectos do espectáculo – aliás, Bruno Mars na semana anterior fê-lo e nem por isso deixou de dar um concerto e espetáculo fantásticos – mas ficou a parecer tudo um pouco exagerado e desconectado.

A noite terminou com o fantástico fogo de artifício do Rock in Rio para nos aquecer a alma, nesta que foi a despedida desta edição do festival que voltará em 2020.


sobre o autor

Joao Neves

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