MENUMENU

Reportagem


NOS Alive

Um eclipse chamado Foo Fighters

Passeio Marítimo Algés

07/07/2017


O segundo dia de NOS Alive é o mais esquizofrénico dos três dias. Por um lado houve Foo Fighters no Palco NOS a levarem para casa a taça do melhor concerto de toda a edição do festival. Por outro lado, houve aquilo que aconteceu em The Cult.

Mais um dia esgotado, mais um dia de chegar cedo. Desta feita, trocámos o Palco Heineken pelo Palco Clubbing e às 17h assentámos arraiais de baixo da pequena tenda.

Houve tempo para ver os Killimanjaro e os Cave Story. Ambas portuguesas, ambas do rock, têm uma abordagem muito diferente ao género.  A primeira traz  na bagagem o blues agressivo, o garage e o que tanto pode ser stoner rock, como o que se ouvia durante a “new wave of british heavy metal.”  Tiveram mais público que, por exemplo, o primeiro concerto do dia anterior no Palco Heineken. Um spot publicitário que inclui o tema “December,” do álbum Hook terá ajudado. É merecido. É uma boa canção e imaginamos que aos poucos os palcos vão ficando maiores. Quanto aos Cave Story, gostávamos de ter ficado para ouvir tudo. O concerto de contornos mais letárgicos e postura lowkey cool merecia uma outra reportagem.

Já no palco Heineken, esperamos pela primeira de duas bandas só com elementos femininos. Não somos – e por “nós” entenda-se o tipo que escreve – fãs da música das Savages se a tivermos que ouvir em casa, mas estendemos a mão à palmatória: ao vivo a banda faz justiça ao nome. Para um relato mais completo, é seguir a hiperligação da reportagem.

The Cult no NOS Alive

Fazemos uma pequena pausa para comer qualquer coisa antes de irmos reservar lugar lá à frente no Palco NOS. Ao chegarmos os The Cult já estão em palco a fazer das tripas coração para dar um bom espectáculo. O esforço caiu em saco roto. Alguém terá subestimado o interesse do público português nestes veteranos. “Sweet Soul Sister” ainda valeu muitos aplausos, mas já nada apagava a frustração de Ian Astbury. Ao despedir-se lança o que tanto foi um elogio como uma farpa. “You have good drug laws. This is for the stoners; this is for the texters.” Pois…

Aos The Kills esperava-lhes uma sorte semelhante. Felizmente o duo não se deixou afectar. Alison Mosshart e Jamie Hince deram um concerto cheio de pujança, mas o público não estava para aí virado. Os The Kills são, em abstracto, uma banda que o público português deveria adorar. Quem é que gosta de White Stripes, Foo Fighters, The Black Keys, James e não inclui também The Kills? São uma banda que faz sentido para nós. Como consequência, estamos todos sobre a impressão que há de ser o vizinho do lado que é fanático dos The Kills. E depois ninguém é.

Esperamos que voltem. Numa sala mais pequena, talvez. Alison Mosshart, a metade mais interessante do duo, merece um altar cá pelo burgo.

E agora? O que é que falta dizer sobre Foo Fighters que já não tenha sido dito?

A nossa reportagem ao concerto é, neste momento, o artigo mais lido de sempre do Arte-Factos. O público português tem fome de mais concertos da banda de Dave Grohl. Houve devaneios a mais? Sim. Pequenas excursões inconsequentes pelo catálogo de outra bandas? Também. Momentos de indulgência a mais? Tudo certo. Mas quem gosta de música também gosta de músicos que gostem de tocar e o demonstrem. Os Foo Fighters são uma das maiores bandas do planeta, mas têm o entusiasmo em palco duma banda do secundário que se viu apanhada num concerto para milhares de pessoas. Nem nos ocorre que já são homens nos seus 50 anos de idade.

Galeria


(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Jorge De Almeida

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