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Reportagem


Milhões de Festa

Com a chegada da sexta-feira, o primeiro dia a sério do Milhões de Festa, chegou o maior volume de milhionários à cidade de Barcelos.

Parque Fluvial de Barcelos

22/07/2016


Com a chegada da sexta-feira, 22 de julho, o primeiro dia a sério do Milhões de Festa, chegou o maior volume de milhionários à cidade de Barcelos. Prontos para desfrutar do mais alternativo fim de semana que o Minho tem para oferecer.

Apesar do campismo se encontrar longe de lotado, o Parque Municipal de Barcelos continua ser um lugar onde a busca pelas sombras se equipara à febre do ouro a meio do século XIX. Difícil, por isso mesmo, foi dormir de manhã. Sejamos, no entanto, justos, e reconheçamos que o facto de haver banhos quentes nos balneários disponibilizados é um luxo que não queremos perder.

Já bem acordados, fomos curar a ressaca da noite anterior para o Palco Piscina, aquele que já se tornou o ícone do festival da Lovers & Lollypops. Por lá a abertura fez-se com Surma, a menina que é a maior revelação da pop nacional em 2016. Com tanto de fofa – quando comunica – como de assertiva – quando atua – Débora Umbelino é uma artista e tem tudo para fazer música muito interessante por muitos anos.

Ambiente

Ambiente

De seguida, tocaram junto à piscina de Barcelos os Wume. A dupla de bateria e sintetizadores vinda diretamente de Baltimore teve momentos muito bons ao longo da sua performance, ainda que esta tivesse sido um pouco inconstante. Permitiram, contudo, ao público, viajar de mojito na mão e apreciar os belos corpos que por ali apareciam.

E se os Wume trouxeram ritmo, Nicola Cruz, o produtor nascido em França a viver atualmente no Peru, foi a boa surpresa da primeira tarde na piscina. A mistura entre house, downtempo e a música latina (cumbia à cabeça) presente no disco de estreia Prender el Alma foi transposta para a Piscina na perfeição. Se não foram ao Milhões de Festa, ponham o disco a tocar. Já está? Agora imaginem-se debaixo de um sol abrasador e dentro da água fresca da piscina municipal de Barcelos. É bom, não é?

Os tais “jogos sem fronteiras” do Milhões de Festa mostraram ainda os ritmos africanos de Nan Kole, enquanto o sol se punha e o público se ia preparando para a segunda noite em Barcelos.

Na segunda noite abriram-se os grandes palcos do festival, o Milhões e o Lovers, com Evols e Goth Money Records, respetivamente.

Sons Of Kemeth

Sons Of Kemeth

A noite começou a aquecer com o jazz dos Sons Of Kemet, que vieram de Londres mas pareciam saídos da África Central, com apontamentos musicais muito próximos do ethio-jazz. O público começou a compor-se no recinto principal e deram-se os primeiros passos de dança.

Findo o concerto, deslocamo-nos até ao outro palco e demos também uma volta de 180º, para algo diametralmente oposto. Marshstepper + HHY + Varg levaram o público para uma outra dimensão onde se cruzavam dark ambient, drones colossais, batidas techno, referências cinematográficas e noise. A teatralidade que Marshstepper trouxe à performance esmagou qualquer crítica que se possa fazer a um concerto desta natureza, geralmente com músicos alienados atrás de computadores. Essa teatralidade levou-nos para essa nova dimensão de onde só saímos quando a música desta colaboração terminou. Um dos grandes momentos de todo o festival.

E se este foi um grande momento, o que dizer do concerto dos Goat? O coletivo sueco (que tivemos oportunidade de entrevistar antes do festival) era o nome mais apetecível do Milhões de Festa 2016 e superou até as melhores expectativas. Sem dirigir qualquer palavra ao público e sempre envoltos no misticismo tão reconhecido quanto as suas máscaras, tocaram, gritaram, dançaram, espernearam e puseram milhares de pessoas a fazer quase o mesmo, resultando numa grande comunhão entre todos.

The Bug

The Bug

O nome seguinte era The Bug. O projeto a que Kevin Martin mais se tem dedicado, regressou um ano depois de ter dado aquele que foi, quase unanimente, o concerto do Milhões de Festa em 2015. O veterano músico “culpado” por nomes como GOD, Techno Animal ou King Midas Sound entre muitos outros, trouxe desta vez um concerto alicerçado em ritmos Ragga acompanhado por Miss Red. A cantora, provavelmente a mais sensual que alguma vez passou pelo festival, deu espetáculo e mostrou uma atitude de diva do gueto que tornou fãs todos os presentes. Pelo meio ainda apareceu Gaika, nome sensação do hip-hop underground inglês, para recordarem a colaboração no disco do músico, Security.

A noite terminou com o set de Cheryl. Eletrónica, visuais reminescentes do tumblr e muitas purpurinas acompanharam os últimos passos de dança e muitos litros de cerveja do primeiro dia “mais a sério” do Milhões de Festa 2016.

Galeria


(Fotos por João Monteiro)

sobre o autor

Carlos Vieira Pinto

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