MENUMENU

Reportagem


Melt-Banana

O maravilhoso mundo de Melt Banana

Maus Hábitos

28/09/2017


A estreia dos Melt Banana em Portugal fez-se no Porto e logo num dos nossos espaços preferidos, o Maus Hábitos. O grupo de culto japonês não deixou os seus créditos por mãos alheias e deixou bem vincado porque contam com uma tão acérrima base de fãs.

De vez em quando acontece. Quando há nomes tão relevantes como o de Melt Banana, as promotoras portuenses Amplificasom e Lovers & Lollypops unem esforços e juntas fazem as coisas acontecer. Vinte e cinco anos depois da sua formação, os japoneses – venerados por músicos tão distintos como Mike Patton, John Zorn, Melvins, Tool ou Napalm Death, chegam finalmente a Portugal com datas no Porto e em Lisboa.

Com lotação esgotada, a vocalista Yasuko Onuki e o guitarrista Ichirou Agata subiram ao palco e depressa mostraram a potência que os caracteriza. Os blastbeats de bateria e os potentes baixos cheio de groove são sequenciados e servem de base para o duo nipónico causar rapidamente um mosh pit frenético na sala do famoso quarto piso na Invicta. O público reage sincopadamente à voz tão sui generis de Yasuko e aos riffs espasmódicos de Agata, o guitarrista – sempre munido da sua máscara cirúrgica – que se inspira nos vídeo-jogos de skate para criar, no laboratório de pedais, as suas experiências noisecore.

Num concerto sem falhas e sem paragens, Yasuko encontrou tempo para dizer que há muito nos queria visitar, confessando que “cerca de 90% dos meus sapatos são feitos aqui em Portugal”. A APICCAPS agradece e o público pede mais. Já depois do duo japonês debitar temas como Candy Gun ou The Hive, o encore é feito com uma rendição punk de What a Wonderful World – tema popularizado e eternizado por Louis Armstrong em 1967 – com direito a coro por parte do público, e pela potente Shield for Your Eyes, A Beast in the Well on Your Hand, do mítico Cell-Scape de 2003, que foi a responsável por este vosso escriba se apaixonar pelos Melt Banana.

O primeiro concerto dos Melt Banana em Portugal demorou demasiado tempo para acontecer e o nosso corpo é a prova disso mesmo. No dia seguinte, o nosso pescoço faz questão de nos lembrar que estamos em 2017 e já não temos 20 anos. Mais transversal é o zumbido nos ouvidos, que provavelmente acompanhará grande parte dos presentes no concerto durante um par de dias.

Galeria


(Fotos por Cláudia Andrade)

sobre o autor

Carlos Vieira Pinto

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