MENUMENU

Reportagem


Japandroids

Não há calma antes da tempestade

Maus Hábitos

17/08/2017


© José Santiago

No dia anterior a uma actuação que os vai colocar frente a frente a uns bons milhares de pessoas, os Japandroids decidiram enfrentar apenas umas dezenas no conforto do Maus Hábitos, no Porto.

Mal o evento no Facebook foi criado, a surpresa foi grande. Mas a maior reacção seria apenas revelada assim que as portas se abriram: não havia filas. Aqueles que estavam com medo de não conseguir entrar para o evento reservado a apenas uma centena de pessoas, rapidamente ficaram aliviados e, logo a seguir, um pouco desiludidos. A marca dos 100 nunca chegou a ser batida, mas todos os que lá estavam queriam ver a banda, tendo sido apenas derrotados por alguma timidez perante os seus pares.

Japandroids

© José Santiago

O concerto que, ao que parece, foi o primeiro da digressão europeia, começa com um silêncio de cortar à faca, que, neste caso, foi esbofeteado com o início de Near to the Wild Heart of Life, o primeiro single do último álbum, com o mesmo nome. O som não estava claramente preparado para o espaço, com uns decibéis acima do expectável, mas ninguém se queixou. As guitarras estavam bem definidas e a bateria com o som quente a que já nos acostumaram. O que se seguiu foi uma experiência, uma espécie de apalpar terreno numa setlist com muito do último álbum, mas que se entrelaçava com toda a carreira da banda. É em espaços mais pequenos que a amostra de reacção é maior e é provável que o formato apresentado seja o esqueleto de toda a digressão.

Japandroids

© José Santiago

A empatia com o público português não podia ser maior – já aquando do concerto no NOS Primavera Sound, foi aquele o espaço escolhido para gravar o vídeo do próximo single. Pode ser uma coisa do norte, mas é preferível não entrar em picardias territoriais. Depois do espectáculo, os Japandroids tiveram tempo para estar com todos e não parecia haver qualquer tipo de esforço envolvido nessa actividade. Estão frescos e prontos para enfrentar os palcos por essa Europa fora, danados para nos sacar lágrimas e deixar afónicos.


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Jose Santiago

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