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Reportagem


Jambinai

Paciência recompensada

Vodafone Paredes de Coura

17/08/2017


© Hugo Lima | fb.me/hugolimaphotography | hugolima.com

Os Jambinai foram, à confiança, a proposta mais arrojada do segundo dia de Vodafone Paredes de Coura. Não o seriam no FMM Sines, por onde até passaram há três anos, mas propostas de teor étnico são mais raras num festival rock. Mesmo tendo em conta que, pelo mesmo palco secundário, já passaram nos últimos anos os ritmos frenéticos e inclassificáveis do sírio Omar Souleyman e os sons tuaregues do deserto de Bombino.

Pela evolução das músicas, pela forma progressiva como vão introduzindo o ruído e pelas explosões melódicas, a banda sul-coreana aproxima-se do pós-rock. Mas depois introduzem as toadas étnicas que os tornam diferentes. Há umas cornetas coreanas, uma guitarra com um trinado profundo (12 cordas?), uma espécie de violoncelo que mais parece um objecto para tricotar (Haegeum) e um instrumento de cordas tradicional, com um som grave hipnótico e altamente desconcertante, chamado Geomungo.

Em Coura, não foram tão ruidosos como se podia antever ouvindo o disco The Hermitage. Pelo contrário, usaram (e abusaram) das introduções semi-silenciosas e das progressões lentas, o que exige muita paciência no final de uma noite de concertos. Mas foram uma das melhores surpresas das primeiras noites do festival.


sobre o autor

Joao Torgal

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