MENUMENU

Reportagem


Dream Theater

Imagens, palavras e muito mais numa noite de celebração

Coliseu Porto

30/04/2017


Corre o ano de 1992, a banda nova-iorquina Dream Theater acaba de lançar o seu segundo álbum Images and Words e, aproveitando o sucesso do single Pull Me Under decide aventurar-se com uma tour fora dos Estados Unidos. Bandas como U2, Pearl Jam ou Nirvana tinham lançado há muito pouco tempo alguns dos álbuns mais emblemáticos da década de 90 ao mesmo tempo que os Dream Theater se movimentavam nas suas tours numa única carrinha, alimentando-se unicamente de hambúrgueres com muito queijo. Esta fica como apenas uma das histórias que James LaBrie partilhou com o público que esteve presente no Coliseu do Porto ao longo de perto de 3 horas, numa celebração sobretudo dos 25 anos do álbum Images and Words, mas que acabou por percorrer praticamente toda a carreira da banda.

Com toda a pontualidade possível, à hora marcada começa-se a ouvir The Colonel dos Two Steps From Hell, uma entrada gravada que vai anteceder os primeiros acordes a sair da guitarra de John Petrucci com The Dark Eternal Night. A tour intitulada Images and Words and Beyond começa exactamente pelo beyond, numa primeira parte que vai incluir seis álbuns diferentes da banda. Os destaques na primeira fase do concerto acabam por ser a inevitável passagem pelo mais recente trabalho da banda, The Astonishing, com The Gift of Music e Our New World, mas também a presença de músicas mais antigas e pouco ouvidas ao vivo como a instrumental Hell’s Kitchen, que mostra uma banda que nunca com o passar dos anos perde a capacidade de dar uma estrondosa performance das suas músicas mais impressionantes. As I Am, do álbum Train of Thought, acaba por ser precedida por uma demonstração do que John Myung consegue fazer no baixo, homenageando um dos baixistas que idolatra com Portraits of Tracy (Jaco Pastorious). Ainda ao longo da mesma música, temos cerca de 30 segundos dedicados a uma passagem pela Enter Sandman. Breaking All Illusions fecha a primeira parte do concerto e a banda anuncia uma pausa de 20 minutos até regressar com o prato principal da noite.

Dream Theater

Em modo de introdução ao Images and Words passa um áudio com as várias músicas que fizeram sucesso no ano de 1992. “Conseguem ver com o que é que tivemos de competir…” afirma James LaBrie antes de a banda se atirar a Pull Me Under que abre o álbum e que se tornou uma das músicas mais emblemáticas do conjunto. O público reconhece cada palavra das letras do álbum e acompanha tanto LaBrie como a guitarra de Petrucci ou as teclas de Jordan Rudess, sempre que o ritmo justifica. Não fica dúvida de que 25 anos depois, este continua a ser um dos pontos mais altos da carreira da banda. Em Take the Time, a terceira faixa do álbum, um Petrucci bem em forma aproveita um momento para brilhar a solo, trazendo também um pouco de uma das suas músicas gravadas em nome próprio, Glasgow Kiss. Pouco depois, em Metropolis Pt 1: The Miracle and the Sleeper, um dos pontos mais altos de todo o concerto, é a vez de Mike Mangini brindar o público com um solo na bateria. Under a Glass Moon e Learning to Live são também duas músicas bastante celebradas, a primeira pela sonoridade viciante dos acordes tocados, a segunda tanto pela oportunidade pouco comum de a poder ouvir ao vivo como pela demonstração técnica de toda a banda ao longo da música. Encerrava-se assim uma segunda parte no concerto mas, mesmo depois de pouco mais de duas horas, havia ainda lugar para um último regresso.

Pouco depois de abandonar o palco a banda regressa e percebe-se que vai ser uma longa estadia quando começa a tocar a primeira parte de A Change of Seasons, um dos “épicos” da banda que se estende por cerca de 25 minutos. Podem haver mais ou menos pausas, algumas falhas pontuais inevitáveis numa demonstração técnica que é cada solo, cada transição planeada ou cada música de um modo geral, mas a verdade é que com quase três décadas de existência em cima, os Dream Theater não parecem alguma vez perder o gás. Como LaBrie faz questão de mencionar a certo ponto, muitos dos presentes no concerto não eram nascidos quando o Images and Words foi gravado e era notável também a presença de um público jovem, que aprendeu a gostar da banda numa fase já muito avançada e não se cansa de ouvir aqueles que são os álbuns mais marcantes ao longo de tantos anos. Talvez o processo criativo já não seja tão facilmente elogiável, a banda também só mantém três dos membros que gravaram o segundo álbum, mas individualmente, a nível técnico, cada um dos seus membros permanece no topo do que é possível fazer dentro do metal progressivo e cada prestação ao vivo é uma lembrança disso mesmo.

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(Fotos por Paulo Tavares)

sobre o autor

Sandro Cantante

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