MENUMENU

Reportagem


Death Grips

Moshpit sem fundo

NOS Primavera Sound

10/06/2017


Death Grips aconteceu. Não é despiciente referi-lo, porque, à partida, não era um dado adquirido. No entanto, o predicado é particularmente apropriado. Não se assiste a um concerto de Death Grips, ele acontece-nos.

Quando Zach Hill e Andy Morin entram em palco, sente-se o agitar do público no Palco. (leia-se palco ponto), mas só quando a figura imponente de MC Ride marcha na direção dos festivaleiros o monstro de violência que lhe habita o corpo infecta-os e transforma em turba o NOS Primavera Sound.

Tudo é um mosh pit, ninguém está seguro na autarquia de Beatdown City e o seu presidente, o Kimbo Slice peso pluma que nos observa, não o quereria de outra forma. Cá em baixo não se ousava contrariar o homem que não se perdeu em coisas tão triviais como um “boa noite”. Ride bem dizia que fazia “Whatever I Want (Fuck Who’s Watching)”.

O concerto de Death Grips é um impiedoso combate de sobrevivência. Pausas para respirar, nem vê-las. Quando “No Love” se faz escutar ocorre-nos que é possível que já faltou mais para o fim, temos que estar, seguramente, a meio. Erro. O espetáculo acontecia-nos e o melhor que havia a fazer era tentar sobreviver-lhe. Escapar-lhe era impossível e só podíamos pedir que um pedaço de nós não ficasse por lá, preso numa eternidade de encontrões, ao som de  “Giving Bad People Good Ideas” e “I’ve Seen Footage”.

Foi o segundo concerto mais longo que vimos acontecer no palco mais recôndito do festival (Swans leva a taça), mas foi aquele que mais participação contabilizou. Desconfiamos que havia um lado degenerado dos festivaleiros que precisava de expiação e que até então não tinha ocasião de vir ao de cima. Justice não terá chegado, Run The Jewels não terá chegado. É a falta que faz um Zach Hill a jogar em God Mode.

Death Grips só nos solta do seu aperto quando termina. No fim, t-shirts encharcadas de suor, bons samaritanos que perguntam “alguém perdeu um sapato?” e hematomas que latem “por favor, levem-me agora”.

Death Grips devia ser ilegal.

Galeria


(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Jorge De Almeida

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