MENUMENU

Reportagem


Cigarettes After Sex

Cigarros, mas só depois das oito

NOS Primavera Sound

08/06/2017


No artigo de antecipação do NOS Primavera Sound que o Arte-Factos publicou, explicámos porque é que o concerto de Cigarettes After Sex nos suscitava alguma curiosidade. Mantemos que o contexto é o que faz o sucesso dos americanos e, convenhamos, as seis da tarde de um dia de Junho, não é o melhor ambiente para tamanha languidez musical.

Os Cigarettes After Sex abriram as portas à sequência introspetiva, sadcore, de concertos, que seria interrompida por Run The Jewels. De visual tão taciturno como as suas vestes, estes quatro rapazes de coração partido conseguiram concentrar à frente do palco uma massa densa e comiserativa de festivaleiros.

A cenografia condizia-lhes com a alma. Sempre a preto e branco, imagens de relâmpagos e de moças a levarem o seu doce tempo para soltar uma lágrima piscavam o olho ao cinema franco-boémio e noir que lhes compõe a imagética.

Com apenas um álbum e um EP, o grupo apresentou o seu roque dócil e nebuloso. A voz frágil de Greg Gonzalez ao vivo é irrepreensível e é de louvar como a sonoridade etérea da banda se traduz ao vivo.

A consistência musical é-lhes simultaneamente uma virtude e um vício. Se, por um lado, nos seduz sem percalços ao conforto de um concerto deitado, por outro, resulta no caricato atirar de barro à parede para acertar no nome dos temas. “K.”, “Dreaming of You”, tema do primeiro EP como refere o vocalista, e até “Sunsetz”, do novo álbum – “Sai amanhã,” avisam-nos – sucedem-se sem grande sobressalto até que alguém acerta num jogo de estão-a-tocar-aquela quando “Keep On Loving You”, cover de REO Speed Wagon, se faz ouvir. Também aceitamos “Nothing’s Gonna Hurt You Baby, aplaudida com entusiamo, como resposta certa.

A certa altura, Gonzalez lembra-nos que esta é a segunda vez que actuam na cidade do Porto. Supomos que para quem vem de fora, desde que se aterre no aeroporto Sá Carneiro, tudo seja Porto. À ocasião escrevemos:

É música que exige silêncio e proximidade com o palco  e, perante tanta gente a vê-los, pareceu-nos opção despropositada para o palco secundário. Ou isso ou, neste caso específico, faltou a companhia certa. Foram vários os casais que vimos beijar de forma extremamente apaixonada.

Desta feita, não faltou o palco principal, mas teríamos preferido um pôr-do-sol como companhia.

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(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Jorge De Almeida

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