MENUMENU

Reportagem


Cage The Elephant

Suor e debandada

Passeio Marítimo Algés

08/07/2017


Bem dito quem decidiu que entre Fleet Foxes e Cage The Elephant haveria uma pausa de quase uma hora. Toda a energia revelar-se-ia pouca para a debandada desengonçada da banda dos manos Shultz.

O terceiro dia do NOS Alive foi uma bênção para os habituais frequentadores de palcos secundários: Spoon, Fleet Foxes e Cage The Elephant; sossega coração. A tenda Heineken esteve quase sempre a abarrotar e quando o sexteto norte-americano entrou em palco atingiu o ponto de massa crítica. A relação com o público português já dura há alguns anos, mas ainda estamos no pico da fase de núpcias.

Quando, finalmente, Matthew explode em palco esse Mick Jagger on speed – cocaína pareceu-nos redundante – traz consigo a eletricidade que lhe justifica a coreografia e o faz mexer o corpo e põe a ignição do Heineken a funcionar.

De casaco e calças de comando trocadas, são os irmãos que comandam as atenções em palco. As armas secretas são, parece-nos, o guitarrista principal com os seus rasgos enraivecidos de genialidade e o baterista, mas os irmãos – acudam-nos – têm problemas. Bons, entenda-se, daqueles que só poderiam ser expiados numa banda como os Cage The Elephant.

Num concerto a abrir, com pouco tempo para conversas paralelas, a banda do Kentucky veio com as luvas de trabalho calçadas e atirou-se a “Cry Baby” sem peneiras. O público também não deu cavaco e acompanhou a banda a cada curva, cada salto em altura (alguém meça a elevação de Matt quando pula agarrado ao microfone) e cada vinda a palco. Se a do guitarrista, durante “Ain’t No Rest For The Wicked,” foi um convívio aprazível, quando, de tronco nu e sem sapatos, Matt salta para o lado de cá da barricada foi um chover de suor (literalmente) e testosterona.

Os ânimos só estiveram mais comedidos durante a baladesca “Cigarette Daydream” para que se afinassem as vozes para o acompanhamento. Com os exercícios cardíacos constantes é fácil esquecer o quão especial é a voz dos Cage The Elephant. Uma variação de Tallest Man On Earth em versão zangada.

No fim do concerto os ouvidos de muitos terão ficado a tinir. O espaço fechado e a despedida em “Teeth” fizeram registar o número mais alto de decibéis do NOS Alive. Ainda o sentimos na pele. Em boa verdade, a ausência de festivaleiros com mais de um metro e setenta de altura ajudou a que nada bloqueasse a estridência dos gritos. Alguém nos sabe explicar este fenómeno?

A banda despede-se. Há rasgadíssimos elogios ao público português e promessas de mudança de residência. Os Cage The Elephant foram os reis da noite. Um dia alguém há-de explicar porque é que não estão no palco principal.

Galeria


(Fotos por Hugo Rodrigues)

sobre o autor

Jorge De Almeida

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