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Reportagem


Apocalyptica

O clássico também pode ser pesado

VOA

05/08/2017


Os Apocalyptica, um dos cabeças de cartaz não tão consensual entre o público do festival, provaram que das baixas expectativas podem surgir grandes surpresas. Talvez muitos não manifestassem interesse em assistir ao concerto da banda finlandesa, mas a verdade é que no final, a maior parte ficou rendida.

Esta digressão que passou pelo nosso país surge no âmbito dos 20 anos que marcam a edição de Plays Metallica by Four Cellos, o mais reconhecido trabalho da banda e o que os catapultou de imediato para o sucesso, e a primeira faixa que nos atiraram foi “Enter Sandman”, não podendo ter sido melhor arranque.

Apesar de pertencer a um álbum que já deixava de ser dos “verdadeiros Metallica” para muitos fãs, a verdade é que esta é capaz de ser a música que todos sabem cantar. E é isso mesmo que acontece. Enquanto a banda recria o tema nos seus poderosos violoncelos, todo o público “substitui” James Hetfield e canta no tom certo. Imparáveis, continuam de seguida para “Master of Puppets”, canção porta-estandarte de Metallica e que foi muito bem recebida, não fosse um clássico dos anos 80.

Eicca Toppinen e Perttu Kivilaakso são quem mais vezes se dirige ao público e é nisto que os Apocalyptica ganham alguns pontos. Não se limitam a despejar os temas, falam com quem os está a ver, criam alguns momentos de humor pelo meio e geram simpatia. E é bom ver que ainda há humildade numa banda com tantos anos de estrada.

Depois de Eicca Toppinen nos dizer que têm 8 álbuns além deste dedicado a Metallica e que “you should check that shit out, cool shit!”, o público incentivado por Perttu canta um belo “Happy Birthday” a Eicca, o aniversariante da noite. Isto depois de o baterista ter sido apresentado como “Cristiano Ronaldo on the drums”.

Mas o concerto continua e ainda há muito para ouvir, na hora e meia que tocaram. “Creeping Death” arrepia pela sua fidelidade ao peso da música original e “For Whom the Bells Toll” é um momento solene, com vozes afinadas de um público que sabe o que canta.

Na intro de “Fade To Black”, Perttu toca como se nada fosse, de perna cruzada, um instrumento daquela magnitude. Encanta a mestria com que dominam o palco e a forma como Eicca e Perttu trocam de lugar aos saltos com os seus intrumentos, parecendo putos a brincar. De “Wherever I May Roam” passamos para a sempre soturna “Harvester of Sorrow”. “Welcome Home (Sanitarium)” é um dos pontos altos do concerto, não fosse uma das faixas preferidas dos fãs de Metallica.

A banda despediu-se, garantindo que voltará em breve e a sensação que fica é que souberam portar-se como um cabeça-de-cartaz e entreter. Apesar de trazerem alguma relutância num festival de sons agressivos, a verdade é que a música clássica também pode ser pesada.

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(Fotos por Paulo Tavares)

sobre o autor

Andreia Vieira da Silva

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