Reportagem


Air

Sensibilidade pop e matemática eletrónica

NOS Primavera Sound 2016

11/06/2016


© Martin Henrik

Derradeiro dia de NOS Primavera Sound no Porto. Será que o coração aguenta tanta emoção? A edição de 2016 foi marcada por momento absolutamente apaixonantes, envolventes e encantadores. Ao terceiro dia, esperava-nos o universo doce dos Air, uma estreia absoluta para mim. Trajando de branco, deram um concerto purificador e apaziguador, desde os primeiros acordes de «Venus» – uma ode ao amor, em que ouvimos We would be together / Lovers forever / Care for each other.

Conquistaram os nossos corações nos primeiros minutos com «Cherry Blossom Girl», primeiro avanço para o trabalho de 2004 «Walkie Talkie». Foi um dos momentos mais importantes da noite. O poder da synth pop sonhadora elevou-nos ao verdadeiro sentimento de «J’ai dormi sous l’eau», primeira viagem ao universo «Moon Safari» – o álbum que os popularizou em 1998. Aliás, deste trabalho ouvimos ainda as belíssimas composições de «Talisman» e «Remember». Sim, lembrámo-nos de tudo e sobretudo de como é derreter ao som do amor.  Ficámos bem naquele ponto caramelo para a entrada de «Playground Love» que pecou por ser instrumental, assemelhando-se a uma versão light para elevadores, mas ainda assim recuperando a melancolia de Sofia Coppola no clássico do cinema moderno “The Virgin Suicides“.

Mudança de ritmo, aquele assobio bem alegre de «Alpha Beta Gaga» deveria ser patenteado. Uma espécie de tradução musical do tão francês sentimento joie de vivre, que poderia ser banda sonora de um dia muito urbano e trendy em Paris. A pouco e pouco, fomos subindo o tom, os ritmos e os passos de dança, até culminarmos em novo reencontro com 1998: «Kelly Watch The Stars» e «Sexy Boy» permanecem tão irrepreensíveis como sempre. E as memórias que nos transportam? Ainda me lembro de onde e quando ouvi estes momentos maiores que a vida pela primeira vez.

Também de 1998 e da adolescência chegaria o final do concerto, com «La Femme d’Argent», entre o groove e a coolness dos Air, do disco de estreia «Moon Safari», da sensibilidade pop e da matemática que sustenta a eletrónica, por entre atmosferas fofas como as nuvens e coloridas como um arco-íris. Enfim, uma escolha para encerrar um alinhamento impecável, bem pensado, equilibrado, que resume a essência de 18 anos de lançamentos. Os Air atingiram a maioridade e que bem soube este meu primeiro encontro com os monstros de palco, que soam a muito mais que um duo.


sobre o autor

Isabel Leirós

“Oh, there is thunder in our hearts” – Fernando Pessoa

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