MENUMENU

MÚSICAS DA SEMANA

#229

com

Ganso

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Escolhas de Ganso

©Neal Preston / Corbis

Steely Dan - Dirty Work

Escolhemos a “Dirty Work” dos Steely Dan porque gostamos de galhofa. Trabalhamos arduamente enquanto rebolamos na lama, e gostamos muito dos lhamas da Colômbia. Tudo em prol de uma boa (cobra/serpente) risota.

Kanda Bongo Man - Monie

De seguida, viemos ao Congo, ouvir o Kanda Bongo Man. No meio de um vasto, versátil, vigoroso e vitorioso repertório, cheio de talento, decidimos que “Monie” foi a malha que nos surpreendeu mais. Porquê? Porque adoramos a módica quantia de Mónica na nossa vida.

Billy Preston - Nothing from nothing

Escolhemos “Nothing from Nothing” do Billy Preston porque sim. Ele farta-se de sorrir enquanto encanta cantando, e nós não nos fartamos de sorrir enquanto vamos ouvindo.

Bob Dylan - Just Like a Woman

“Just Like a Woman”, Bob Dylan. Adoramos harmónica e harmonia. Importante referir que o cinema nos ensinou a viver, mas que a vida nos ensinou a fazer cinema também. Tal como a mulher, bela, mágica e imprescindível.

The Kinks - Apeman

De regresso às origens, o frenesim da selva consumiu-nos. “Apeman” dos talentosos Kinks.

Escolhas de Hugo Rodrigues

The National - The System Only Dreams in Total Darkness

Demorei a entrar na onda dos The National e, por isso, se há uns anos me tivessem dito que ia ficar extremamente contente por ver anunciada mais uma passagem da banda pelo nosso país ia-me rir, ainda para mais com a quantidade de vezes que isso acontece. No entanto, esta é daquelas bandas que mesmo não nos apercebendo que está sempre presente, acaba por estar. Nos bons momentos e naqueles menos bons.

Julien Baker - Sprained Ankle

Um dos principais motivos, senão o decisivo, que me leva até ao Porto e ao Primavera Sound. Está quase.

Cymbals Eat Guitars – Have a Heart

Outros que caiem na categoria que descrevi em cima e que se estreiam no nosso país em breve.

First Breath After Coma — Nagmani

Os First Breath After Coma disponibilizaram recentemente o vídeo para esta música, que conta com a participação do compositor e pianista André Barros, e isso levou-me de novo até ao excelente Drifter.

Jeff Buckley — Hallelujah

Recuperar grandes malhões.

Escolhas de José Raposo

Slowdive - Sugar for the Pill

Nesta coisa do shoegaze, pese a frescura do som quando surgiu, falta imaginação para títulos de álbuns – os Slowdive fizeram um #mbv, voltaram aos álbuns vinte e dois anos depois e também deram o título homónimo à obra. Em boa hora regressados, que ainda têm tudo no sítio – se em Star Roving sentem o pedal do reverb a fundo e cavalgam pelas ondas sonoras, em Sugar for the Pill retornam à melancolia que Neil Halstead e Rachel Goswell tão bem dominam, com umas incursões por outros caminhos da carreira dos membros da banda. Na melodia relembramos outras fronteiras da música popular, como Wonderful Life dos Black ou a cadência da mítica Cry da dupla Godley & Creme. Mal nenhum, que as texturas do shoegaze tratam de embrulhar toda esta roupagem num resultado final que é uma canção candidata às melhores do ano, num álbum que vai pelo mesmo caminho na respectiva categoria.

The National - Start a War

Lamentavelmente, este escriba só começou a ouvir The National por alturas de Boxer, no qual se inclui esta canção. Passam agora dez anos deste álbum magnífico do princípio ao fim (ainda que grower, como a maioria dos discos de The National para este ouvido) e, com uma data de malhões para escolher, tem aqui a marca distintiva de qualidade da banda: em vez das guitarras entrecruzadas dos irmãos Dessner, tem-se aqui o seu jeito para ir buscar arranjos (de Padma Newsome, compincha eterno da banda), adicionar uma secção de ritmo discreta mas fundamental, com o cimento da voz ora frágil, ora tensa de Matt Berninger. Valeu a pena ter atravessado um dilúvio na auto-estrada algures em Fevereiro de 2008 para ficar com um dos últimos bilhetes do histórico concerto na Aula Magna de Maio desse ano.

Battles - Tonto

Mais um aniversário de um grande álbum – desta feita de Mirrored, dos Battles. Ainda com Tyondai Braxton, os padrões do math rock/experimental (riscar o que não interessa) tomaram, na altura, o éter de assalto à séria, depois de alguns EPs prometedores mas de sonoridade ainda em esboço. Konopka, Braxton e Williams asseguram que não ficamos sem melodia, mas – tal como no resto do disco – é John Stanier, o grande mago da simplicidade, a assegurar que Tonto é um sprint memorável, que passa a ressaca ao fim de quatro minutos e meio, para que possamos respirar convenientemente. Não se esqueçam, também, de ouvir as várias versões da canção – em particular as de Four Tet e The Field.

Radiohead - No Surprises

Se uns fazem dez, OK Computer dos Radiohead completa vinte anos (em várias datas, que isto de ser banda de renome mundial dava para estreias em todos os continentes). A viragem dos Radiohead para banda de excepção já tinha, de certa forma, começado em The Bends, mas com canções como No Surprises a banda de Thom Yorke e companhia estava já noutra galáxia. A melodia do glockenspiel de Jonny Greenwood dá o mote para uma infantil mas poderosa invectiva contra o estéril e politicamente horrendo período da Terceira Via/New Labour de Tony Blair e comparsas (ainda no seu começo); Yorke parece ensonado e enfadado com a vida, mas desafia-nos a destruir o Estado, enquanto que Selway, O’Brien e o Greenwood mais velho asseguram que chegamos ao fim intactos. No alarms and no surprises de que vinte anos depois continua a ser um dos melhores álbuns dos anos noventa.

Silver Apples - Lovefingers

Simeon Coxe III, o membro restante dos Silver Apples, anda neste mundo há quase oitenta anos e monta os seus próprios instrumentos (o “Simeon”); algures na década de sessenta formou uma banda assaz influente com Danny Taylor (já falecido), que também contou mais tarde com Xian Hawkins. Sobreviveu a processos da Pan Am, insolvências de editoras, a acidentes de viação e agora anda em digressão a mostrar porque é que os seus Silver Apples são uma banda de tal modo influente que o discurso musical electrónico dos últimos cinquenta anos não é possível sem eles – nem os Deuses Kraftwerk seriam possíveis, sequer. Em passagem ao vivo por Lisboa, Lovefingers cresceu em relação ao estúdio, com ambos os Simeon (o humano e o electrónico) a mostrarem que andavam a fazer o som do trip hop trinta anos antes daquele, qual máquina do tempo ligada a um PA.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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