MÚSICAS DA SEMANA

#227

com

Paraguaii

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Escolhas de Paraguaii

The Lemon Twigs - I Wanna Prove to You

Lemon Twigs foi uma banda nova que descobrimos há pouco tempo. É uma banda que traz o revivalismo do 70’s mas com uma contemporaneidade fresca. “I Wanna Prove to You” foi um dos temas mais ouvidos na carrinha do Zé quando fomos em tour para a Dinamarca e Suécia que durou 15 dias em viagem.

El Passador - Amada Mia, Amore

Dentro dos temas escolhidos para esta lista temos aqui um que é um clássico no Universo ItaloDance, El passador “Amada Mia, Amore “. Promete dar uma injecção de boa energia e animação para os momentos mais dormentes, foi o que nos aconteceu dentro da carrinha de 3 lugares para 3 pessoas, apertados mas mesmo assim conseguimos dançar lá dentro ao som do El Passador.

Neil Young - Dead Man Theme

Neil Young com o “Dead Man Theme”. Bem, este tema tem de estar presente nas nossas viagens e é para aqueles momentos em que entras na Dinamarca em alvorada. Ver o nascer do dia e sol em viagem ao som do mestre, é sem duvida um momento nostálgico e mágico ao mesmo tempo.

Frank Zappa - Cosmik Debris

Frank Zappa com “Cosmic Debris”, não há nada como levar um estaladão de criatividade e sabe sempre muito bem descobrir sons e coisas que não perceptíveis à primeira nem à 3ª vez que ouves. Frank Zappa é uma descoberta constante.

Kraftwerk - Trans Europa Express

Por fim Kraftwerk, passar a Alemanha e ouvir “Trans Europa Express” é das melhores experiências que se pode ter.

Escolhas de Hugo Rodrigues

Cloud Nothings - Things Are Right With You

Demorei mais tempo do que gostava a descobrir que os Cloud Nothings têm um novo disco, mas veio mesmo a tempo do verão, do calor e das miúdas em biquinis. Podia ter sido pior.

Bruno Pernadas - Worst Summer Ever

Parece contraditório com o que escrevi em cima, mas compensa pelo enorme disco que é Worst Summer Ever, homónimo deste tema.

Long Way To Alaska - Beacon Fire

O calor também puxou esta semana para a minha playlist os Long Way To Alaska. Nem sempre acarinhados neste lado, conquistaram-me com os sons tropicais do EP Life Aquatic, do já longínquo ano de 2013.

The National - Fireproof

Para as partes da manhã mais tranquilas durante a semana que passou pt i.

Explosions in the Sky - So Long, Lonesome

Para as partes da manhã mais tranquilas durante a semana que passou pt ii.

Escolhas de Alexandre Junior

Kendrick Lamar - FEEL.

Tomei a última semana para degustar, ao sabor do tempo, o fresquíssimo novo disco de Kendrick Lamar. Temia, e percebo agora que sem nenhum fundamento, que lhe custasse apontar a um qualquer rumo depois do épico To Pimp a Butterfly, ora não se sentisse que esse disco de 2015 fora um muito maduro trabalho, conceptual e musicalmente num patamar à parte dos seus contemporâneos. Quanto a DAMN., o novíssimo disco, não conjecturo ainda ilações do estilo. Diz-me uma primeira impressão que é música que se toma mais pelo seu valor individual do que pela soma das suas partes; e além de contrariar o que havia, nesse sentido, feito em To Pimp a Butterfly e até no anterior, cinemático Good Kid, M.A.A.D City, coaduna-se com o actual panorama musical quando apresenta, ao longo das suas 14 faixas, uma hora de jabs directos provenientes de um universo lírico no qual se sente mais que confortável. Deste disco, FEEL. é um dos vários possíveis destaques: começa com uma alusão ao vazio religioso, apanágio de Kendrick desde há algum tempo para cá, e discorre sobre tudo o que o rapper tem sentido nos últimos tempos, em palavras que se sentem, aqui e em todo o restante disco, serem dirigidas a toda uma América. Um exercício auto-centrado, também se poderá dizer, mas sabemo-lo há já algum tempo que Kendrick não tem problema algum a considerar-se o topo do game, ao lado de grandes como Tupac Shakur. E DAMN. advém dessa elevação.

Tim Buckley - Hallucinations

Há já alguns meses que me insiro, lenta mas assertivamente, no curiosíssimo universo de Tim Buckley. Certamente o seu nome trará à memória, em primeiro lugar, a carreira do filho Jeff, autor de Grace, disco de 1994, que ressuscitou – e imortalizou devidamente – a Hallelujah de Leonard Cohen. E esta herança musical do seu filho é argumento para justificarmos que o talento corria, de facto, nas veias da família. Tim, que editou ao longo das décadas de 60 e 70, produziu trabalhos distintíssimos entre a folk de traços psicadélicos, perfeitamente coerente e alinhada com os seus contemporâneos, como foi, com o passar do tempo, reinventando a sua música e abraçando outras estéticas; Starsailor, de 1970, é o culminar de um trajecto com rumo traçado ao experimental e ao místico, onde a sua voz (que portento!) revela toda a força e multiplicidades; mas logo de seguida, em Greetings from L.A. (1972), entrega-se à sensualidade do funk e da soul com a maior das naturalidades. Por entre todos os altíssimos momentos da sua discografia – editou, em menos tempo que o seu filho e por ironia e triste fatalidade desta estranha linhagem, nove (!) discos entre ’66 e ’74 – destaco Hallucinations, do disco Goodbye and Hello (1967), seu segundo disco e provavelmente o melhor ponto de entrada no mundo de um artista que palmilhou ora o belo categórico, como em Song to the Siren, como se entregou, com a mesma determinação, ao onírico, ao perverso, ao feérico. De tudo isto, é Hallucinations exemplo. E categoricamente belo também.

Björk - Where is The Line

Breve passagem pela islandesa Björk, tão homogénea, e ainda assim tão interessante. O disco é de 2004 e utiliza a voz como expressão e simultânea composição: a cantora canta por cima de instrumentais que não o são em boa verdade, dado que se compõem maioritariamente por sobreposições de outras linhas vocais, como uma expansão do original e imutável conceito de a cappella com auxílio da electrónica. Obrigatório!

Brian Eno - Spider and I

Quem acompanha as minhas aventuras melómanas, terá presente a alta estima com que considero o britânico Brian Eno, dono de um autêntico toque de Midas no que à produção musical diz respeito – que o digam os portugueses The Gift, que o recrutaram para produzir o seu novo disco e, com ele, se elevaram a onde ainda não haviam chegado. Spider and I é tema conclusão do disco Before and After Science, de 1977, e que se segue a Another Green World (1975) , um trabalho que me é bem mais familiar. Na sua música, tudo está presente, independentemente da linguagem que usemos para a enquadrar – caso não seja claro o que pretendo com a expressão, basta que consideremos por amostra o seu legado na década de 70. Before and After Science tem apenas 40 minutos divididos ao longo de 10 faixas; mas sentimo-lo expandir-se além desta limitação temporal. Escolhi Spider and I, como poderia ter figurado virtualmente qualquer outra das canções.

Morton Feldman - Rothko Chapel

Para terminar, um nome de outra dimensão. Morton Feldman, compositor americano, foi um dos nomes mais proeminentes do século passado na linhagem clássica, que, traços gerais, teve uma espécie de crise após a vaga romântica, muito expressiva, que lhe precedeu. E aproveito para o enquadrar à luz do que escrevi sobre Eno: sobre este último, mantenho que soube orientar-se fosse na pop, no rock, ou nas deambulações electrónicas que pautaram grande parte das suas explorações minimalistas, e usei o termo linguagem. Sigam-me: caso consideremos ritmo, harmonia, melodia, como parte de uma linguagem, como interpretaremos então as composições de Feldman, e esta Rothko Chapel em particular, que quando assim comparada nos parece amorfa, indefinida, inconclusiva, um exercício nebuloso que dura por mais de trinta minutos? Feldman foi muito próximo de outra figura definidora do século, o compositor John Cage, e Rothko, a quem se refere explicitamente no título da obra, é o pintor autor de icónicos estudos sobre cor e textura; e a interpretação que vos trago está incluída num disco que a enquadra com Cage e o francês Erik Satie. De volta às analogias, ponhamos lado a lado um quadro naturalista e uma pintura de Rothko  o que há em comum? Da mesma forma, equipare-se Eno, por exemplo, e esta composição de Feldman. Poder-se-á dizer, no primeiro caso, que se partilha a cor, ou o fenómeno visual; no segundo, o som, puro e desprovido de outros encantos que lhe são acrescidos (o ritmo, melodia, harmonia). Caso vos interesse, abram as portas à capela de Feldman, ainda que desconheçam onde vos levará. Para uma viagem mais completa, pode fazer-se escala num ponto que, ora vejamos, não nos é desconhecido de todo.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura.

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