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Vanilla Sky
Título Português: Vanilla Sky | Ano: 2001 | Duração: 136m | Género: Fantasia, Thriller, Mistério
País: EUA | Realizador: Cameron Crowe | Elenco: Tom Cruise, Penélope Cruz, Cameron Diaz, Jason Lee

Em 2001, Tom Cruise brilhava num thriller psicológico – a roçar a ficção científica distópica – pela mão de Cameron Crowe, levando a seu lado Penélope Cruz e Cameron Diaz, o promissor Jason Lee e o veterano Kurt Russell. O enredo já não era novidade, visto tratar-se de um remake do original espanhol “Abre los Ojos”. Apesar disso, foi um dos filmes mais aclamados do ano quer pelo público, quer pela crítica – enfim, tudo para ser um clássico instantâneo.

Um dos pontos fortes de Vanilla Sky é a sua banda sonora: Radiohead, Paul McCartney, Peter Gabriel, The Monkees, Leftfield com Afrika Bambaataa, Sigur Rós, Jeff Buckley, Bob Dylan, R.E.M. e The Chemical Brothers, entre tantos outros. E, ainda, uma contribuição de Nancy Wilson, responsável pela composição em Almost Famous. Não há forma de arte mais capaz de traduzir o que de mais íntimo nos corre no pensamento.

A narrativa é aparentemente simples – e aqui começam os spoilers, atenção: um playboy é vítima do seu estilo de vida inconsequente e recorre a um serviço de criopreservação, enquanto sonha com a vida que desejou ter e o amor que nunca soube acolher. Ao longo das duas horas, tudo acontece com uma aura muito idealizada e de perfeição, em que cada detalhe transpira cinematografia impecável e cada minuto parece desenhar um quadro de felicidade tangível.

Quem ainda não viu o título, deverá interromper a leitura de imediato e dar início à visualização – por exemplo, no Netflix, pois logo a seguir a esta imagem irei deixar uma série de teorias de cinéfilos que tornam o filme ainda mais enigmático e intrincado.

Mesmo na recta final de Vanilla Sky, Cameron Crowe apresenta ao público a mais razoável explicação para toda a história, tornando evidente o que aconteceu. Porém, um pouco por toda a internet, é possível encontrar novos caminhos e pistas que permanecem sem explicação. Estas são as minhas teorias favoritas:

Há quem julgue tratar-se tudo de um sonho de David, trazendo ao de cima todos os receios e sentimentos de culpa.

  • Logo na abertura, David ouve Sofia dizer «open your eyes». Como é que isto poderia ter acontecido, se ainda não se tinham conhecido?
  • Pouco depois, ouvimos David relatar um sonho/pesadelo ao psicólogo.
  • O clássico filme “Jules and Jim” termina com um acidente semelhante ao que vemos em Vanilla Sky.
  • O selo automóvel de David é de dia 30 de Fevereiro, algo surreal.
  • Músicas dos R.E.M. são importantes apontamentos na banda sonora e, já se sabe, R.E.M. significa rapid eye movement.

Há quem também acredite que se trata de uma metáfora religiosa.

  • David comete suicídio após a morte de Julie (Cameron Diaz), vencido pelo sentimento de culpa, morrendo aos 33 anos de idade.
  • A empresa que vende o Lucid Dream é, na realidade, Lúcifer – com quem assinou um contrato (sobre o qual David é questionado) pela sua alma, recebendo em troca a vida perfeita que deitou a perder.
  • Mais evidências: os cabelos encarnados de ambas as funcionárias da L.E., a Tilda Swinton tem molho picante atrás de si no escritório.
  • O pai de David escreveu O LIVRO, intitulado “Defending the Kingdom” e a revista que gere chama-se “Rise”.
  • What if God Was One of Us” toca e é cantado por David.

Um filme com todo o potencial para ser algo entre a romcom e o thriller, rapidamente se transforma num clássico complexo bem ao jeito de Crowe. Para além das teorias explicativas, o The Uncool reuniu ainda muitas evidências, factos e pequenos apontamentos que tornam o regresso a este filme muito mais delicioso.


sobre o autor

Isabel Leirós

"Oh, there is thunder in our hearts" - Fernando Pessoa (Ver mais artigos)

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