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The Wolf of Wall Street
Título Português: O Lobo de Wall Street | Ano: 2013 | Duração: 180m | Género: Biografia, Acção, Comédia, Crime
País: EUA | Realizador: Martin Scorsese | Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie

O Martin Scorsese que retrata os pecados norte-americanos, regressou e reacendeu a chama que faltou aos seus filmes mais recentes. Baseado em factos verídicos, Wolf of Wall Street explica como Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) se tornou uma das figuras essenciais da Wall Street dos anos 90.

Aos 22 anos, Belfort motiva-se unicamente pelo objectivo de enriquecer e integra o feroz mundo financeiro nova-iorquino, sob orientação próxima de Mark Hanna (Matthew McConaughey, numa presença curta mas incontornável). Pouco depois, funda a corretora Stratton Oakmont, associando-se a Donnie Azoff (Jonah Hill interpreta a personagem baseada em Danny Porush).

As qualidades da sua equipa potenciam o célere crescimento do negócio, alcançando rapidamente transações e lucros milionários. Consequentemente, na firma é constante a presença de drogas e sexo, num permanente ambiente de deboche e recompensa pelo trabalho bem feito. O carácter exibicionista dos Stratonites desperta a atenção de Wall Street, que os ensoberbece, e das autoridades, que iniciam investigações que culminam em acusações e detenções por crimes de burla. Em menos de 10 anos, Belfort provoca perdas na ordem dos 200 milhões de dólares aos seus clientes, meros piões na sua desmedida e insaciável ambição.

São três horas que poderiam ter saído da ficção, tal a desmesura, mas mesmo os mais improváveis acontecimentos foram vividos por Jordan Belfort – garante o próprio. Leonardo DiCaprio relata orgulhosamente os eventos num vigoroso discurso directo para a câmara, justificando e contextualizando os seus actos numa tentativa de suavizar o juízo do público. Um desempenho já reconhecido com um Golden Globe na categoria de Melhor Actor em Filme de Comédia ou Musical.

Apesar do franco elogio ao crime organizado, à ganância e ao desregramento em geral, dos conteúdos explícitos de cada cena e dos recordes batidos na utilização da palavra fuck (mais de 500 vezes), é um dos filmes de 2014. E, provavelmente, será em breve considerado um clássico do cinema, pois retrata o espírito humano quando o egocentrismo e a ausência de ética conduzem o indivíduo. Afinal, em bom rigor, quem consegue garantir que, nas mesmas circunstâncias de Belfort, agiria de forma diferente?


sobre o autor

Isabel Leirós

“Oh, there is thunder in our hearts” – Fernando Pessoa

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