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The Lost City of Z
Título Português: Z, A Cidade Perdida | Ano: 2016 | Duração: 131m | Género: drama histórico, aventura, biografia,
País: USA | Realizador: James Gray | Elenco: Charlie Hunnam, Robert Pattinson, Sienna Miller, Tom Holland

The Lost City of Z é o oitavo filme dirigido pelo realizador e argumentista James Gray que nos traz a apaixonante história do Coronel que virou explorador: Percival Fawcett.

Percy Fawcett tem uma das mais curiosas histórias do mundo dos exploradores (que não irei revelar aqui, pois acho sempre bem melhor ver os filmes sem saber muito e para quem não conhece o fascinante percurso de Fawcett terá certamente uma surpresa).

O filme é a adaptação por James Gray do livro de David Grann com o título: The Lost City of Z: A Tale of Deadly Obsession in the Amazon. Fawcett – que era Coronel e seguia a carreira militar – tornou-se explorador por acaso, após embarcar numa missão cujo objectivo era o mapeamento da região fronteiriça da Amazónia entre o Brasil e a Bolívia. Essa viagem mudaria a sua vida para sempre e Fawcett descreveria esse seu percurso no livro Exploration Fawcett de onde se retira o seguinte: “Deep down inside me a tiny voice was calling. At first scarcely audible, it persisted until I could no longer ignore it. It was the voice of the wild places, and I knew that it was now part of me forever.” e que resume de forma perfeita o que se testemunha ao longo do filme.

O Coronel Fawcett é aqui – brilhantemente – interpretado por Charlie Hunnam, que já havíamos visto em King Arthur: Legend of the Sword de Guy Ritchie, há uns meses. Hunnam tem uma interpretação portentosa, envergando muito bem toda a evolução de Fawcett e dos seus valores. A dinâmica com a companheira – a quem Sienna Miller dá vida – é também ela um reflexo do tipo de pessoa que Fawcett seria. Miller está à altura deste desafio que se assemelha ao seu papel de esposa devota em American Sniper e que nos relembra o quanto o nosso mundo ainda é tão masculino e o quanto Hollywood necessita dedicar-se mais às heroínas.

O ritmo de The Lost City of Z é um pouco lento e o salto temporal final poderá torná-lo confuso. Não é fácil retratar em duas horas um percurso tão rico, no entanto os momentos chave estão lá, tal como toda aquela transpiração quase claustrofóbica das vivências num meio tão exigente e antagónico para o ser humano como a selva. Muita tinta e especulação correu sobre a última visita de Fawcett à Amazónia, acabando por dar origem a inúmeras teorias, estudos e, até mesmo, explorações ao local. Consegue-se uma cena brilhante, que fica na memória e, sobretudo, no coração do espectador. O pormenor do relógio de Fawcett e o simbolismo particular desse objecto e da mensagem que o explorador desejava transmitir com ele são uma das principais fontes do misticismo deste desfecho.

The Lost City of Z é um filme sobre um ser humano inspirador que faz o melhor que pode para nos mostrar a jornada duma vida no tempo disponível que tem!


sobre o autor

Natália Costa

“Sometimes nothing can be a real cool hand.”

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