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O Carteiro de Pablo Neruda
Título Português: O Carteiro de Pablo Neruda | Ano: 1995 | Duração: 108m | Género: Biografia, Comédia, Drama
País: Itália / França / Bélgica | Realizador: Massimo Troisi e Michael Radford | Elenco: Massimo Troisi, Philippe Noiret, Maria Grazia Cucinotta

Um olhar que vale mais do mil imagens. O olhar de Mario Ruoppolo, de uma candura, simplicidade e genuinidade sem limites. Está ali um dos momentos que mostram a magia do cinema. Ele é Il Postino – Carteiro de Pablo Neruda.

Il Postino retrata o exílio de Pablo Neruda (Philippe Noiret, o Alfredo de Cinema Paraíso) numa pequena ilha italiana e a relação especial que estabelece com o carteiro que, diariamente, lhe entrega a correspondência. O filme junta uma estrela da poesia e futuro Prémio Nobel com um simples carteiro, numa amizade improvável que se vai fortalecendo aos poucos, sem pressas, ao sabor da poesia, das palavras ou da beleza das expressões.

Il Postino tem a beleza das imagens italianas e da música de Luis Bacalov (que lhe valeu o Óscar). Mas este é, mais do que tudo, um filme de emoções humanas. Na ligação da poesia ao amor profundo, de Dante e Mario por Beatriz. Na amizade terna e sem pedir nada em troca. Na nostalgia e na saudade. No reconhecimentos do lugares mágicos que existem sempre nas terras em que vivemos. No idealismo de um certo espírito comunista numa terra tão marcada pelas convicções cristãs. Num lado puro da fé, tão religioso como laico. Na abertura do coração e de horizontes. No humor ternurento, com destaque para a conservadora Dona Rosa. Nas pontes entre a realidade e a ficção, que tornam o final ainda mais forte. Ou nas lágrimas que teimam em cair cara abaixo em vários momentos do filme.

Na Festa do Cinema Italiano, estiveram presentes o director de arte e a figurinista do filme, Gianni Gissi. Mario Ruopoolo é Massimo Troisi, o actor-realizador que morreu em 1994, no dia seguinte ao fim das rodagens de Il Postino. Como apontou Gissi, “Troisi não está entre nós há 24 anos, mas permanece vivo connosco graças à magia do cinema.” É outro dos pontos deslumbrantes da sétima arte. E aqui fica outro: o de transformar em estrelas mediáticas pessoas tão simples, como comoventes, sejam elas reais ou da pura ficção. Este não é um filme sobre Pablo Neruda. É um maravilhoso filme sobre Mario Ruoppolo.

Filme visionado na 11ª Festa do Cinema Italiano (Abril 2018)

 


sobre o autor

Joao Torgal

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