MENUMENU
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Muvi Lisboa 2015 – Mahala
Título Português: Mahala | Ano: 2015 | Duração: 37m | Género: Documentário de música, curta-metragem
País: Portugal | Realizador: Francisco Costa, Márcia Costa | Elenco: Milton Gulli, Marisa Gulli, João Cabrita

A curta-metragem/documentário de Francisco Costa e Márcia Costa (vencedora da competição nacional) assinala o regresso dos Cacique’97, a banda dos irmãos Gulli, após interregno. O conjunto luso-moçambicano tem aqui a sua curta história (cerca de dez anos) contada pela objectiva de Francisco Costa e Márcia Costa, com certa dinâmica cronológica, na qual se inclui uma conversa via Skype entre Milton Gulli, líder da banda, e um antigo membro fundador, agora residente em Berlim.

O principal motivo de interesse desta curta não é, a nosso ver, a mera biografia da banda, mas sim o retrato das amizades construídas ao longo da existência dos Cacique’97 – em particular a aproximação de músicos que nunca tinham ouvido sequer falar de afro beat, como é o caso de João Cabrita, um dos nossos melhores saxofonistas. “Mahala” é também uma história da família Gulli e do entusiasmo e alegria pela descoberta de sons novos – algo com que muitos melómanos se podem identificar, de resto.

Tal como Milton Gulli teve a sua epifania musical quando descobriu uma cassete (pertença do pai) do vulto Fela Kuti e pegou numa guitarra oferecida ao pai, muitos de nós tiveram um momento (ou mais!) parecido com esse, uma travessia do Rubicão ou um grito do Ipiranga que nos levou a outras paragens. Sem dúvida um ponto alto de Mahala.

O outro motivo de interesse da curta-metragem é o testemunho de vários membros sobre a evolução da sonoridade do grupo. De acordo com o que nos é contado, o afrobeat poderá dar lugar a uma sonoridade mais lusófona – aguardamos com expectativa, até porque muita da música da África lusófona (que não o lixo que está em voga) de ontem e de hoje merece divulgação. Traga-se de volta a marrabenta de Fany Mpfumo e os “Angola” 72 e 74 de Bonga, bem como os Super Mama Djombo. Temperado com as típicas imagens de uma banda em acção no estúdio e em palco, Mahala é uma produção que abrilhanta o festival e que cumpre bem a função de ajudar a contar a história da música nacional e suas personagens. Passe-se o chavão, Mahala é uma agradável surpresa em menos de três quartos de hora, merecendo plenamente o prémio recebido.


sobre o autor

José V. Raposo

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