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Ma Loute
Título Português: Ma Loute | Ano: 2016 | Duração: 122m | Género: Comédia
País: França, Alemanha | Realizador: Bruno Dumont | Elenco: Fabrice Luchini, Juliette Binoche, Valeria Bruni Tedeschi

Uma família de canibais, pessoas a levitar ou a insuflar, um carro à vela, uma rapariga que se veste ocasionalmente de homem, uma missão militar que arranca com uma corneta enferrujada, travessias de rio ao colo… enfim estamos no domínio da mais pura fantasia surrealista. Só que sem critério.

Estamos na costa francesa, onde dois polícias investigam um conjunto de desaparecimentos. Pelo meio, a filha de uma aristocrata apaixona-se por Ma Loute, membro de uma família excêntrica e meio boçal. São pontos de partida, mas qualquer tentativa de escrever uma sinopse se torna difícil, dado o predomínio da forma sobre o conteúdo. Nada contra de uma forma geral. De modo mais ou menos burlesco, mais ou menos negro, há obras-primas em que a história, em si, é secundária. De Jacques Tati a Quentin Tarantino. Tudo depende da concretização. E é aqui que Ma Loute falha categoricamente.

A propósito de Tati, há qualquer coisa aqui daquele humor meio non-sense e muito físico dos filmes do Sr. Hulot. E o duo de polícias faz lembrar uma mistura da estupidez dos Dupond e Dupont (Tintin) com a fisionomia do Bucha e Estica. Mas se as referências são boas, parece que entregaram a escrita do argumento à malta dos Malucos do Riso. E com a criatividade de um dia de ressaca, após uma noite de muito alcoól.

Há uma ou outra cena com mais piada, como a da procissão. Mas chega a dar pena ver actrizes como Juliette Binoche embarcarem num espectáculo de aleatoriedade cujo sentido de humor é muito, muito duvidoso. E, quando assim é, está tudo dito sobre Ma Loute.

 


sobre o autor

Joao Torgal

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