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Faust
Título Português: Fausto | Ano: 2011 | Duração: 140m | Género: Drama, Fantastico
País: Rússia | Realizador: Aleksandr Sokurov | Elenco: Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Isolda Dychauk

Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza 2011 e aclamado pela crítica, Faust é daqueles filmes que, fruto das estratégias de distribuição, parece chegado a Portugal fora-de-horas, cerca de um ano e meio depois desse prestigiado prémio. Contudo, vista que está a obra de Aleksandr Sokurov, talvez passássemos bem sem ele.

Faust encerra a tetralogia do realizador russo sobre figuras ultra-poderosas (que incluiu Hitler, Lenine e Hirohito), abordando por fim uma personagem mitificada, um médico e professor que, supostamente, vendeu a alma ao diabo em troca de conhecimento científico e do respectivo poder que lhe está associado. Ele é evidentemente o protagonista, a que se junta uma sinistra encarnação maligna (uma espécie de Gollum humano) e um conjunto de personagens à deriva, seja na história, seja no próprio filme. Aliás, pegando na comparação anterior e esticando um pouco a corda, fica a ideia de isto ser uma espécie de versão intelectual, freak e pseudo-filosófica dos filmes da Terra Média.

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Este é um filme de uma narrativa labiríntica, profundamente abstracta, de decifração praticamente impossível, para não dizer que a narrativa é simplesmente ausente. Há vestígios de retratos de fome, de guerra, de loucura, de uma sociedade vertiginosa e até de um improvável sentimento amoroso de Faust por Marguerite, mas surge tudo desligado, sem qualquer preocupação de passar uma mensagem global, pelo menos de acordo com os cânones dos comuns mortais.

Faust é uma adaptação livre da obra homónima de Goethe. Tão livre, tão livre, que talvez pouco reste dela ou de interesse consistente. Pode ser uma bela reconstituição visual, com um uso sóbrio da tecnologia, mas é só isso. Pode ser um bom exercício de estilo, mas custa a crer que possa ser considerado um grande filme. Em Veneza, quando venceu o Leão de Ouro, Sokurov admitiu “não ser um apreciador de cinema”. Pois, percebe-se.


sobre o autor

Joao Torgal

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