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Behind the Candelabra
Título Português: Por Detrás do Candelabro | Ano: 2013 | Duração: 118m | Género: Drma, Biografia, Romance
País: Estados Unidos | Realizador: Steven Soderbergh | Elenco: Michael Douglas, Matt Damon, Scott Bakula, Eric Zuckerman

Uma epidemia devastadora, acção série B, um stripper masculino, suspense em torno da indústria farmacêutica… eis o percurso eclético e muito irregular dos últimos e profícuos (em termos de periodicidade cinematográfica) tempos de Steven Soderbergh. Antes de entrar num aparente período sabático, o cineasta norte-americano oferece-nos um biopic sobre Valentino Liberace, pianista, entertainer espampanante e referência gay.

O foco de Por Detrás do Candelabro está, como o título do filme certeiramente o indica, muito mais na vida privada do que no percurso artístico de Liberace, mais concretamente na relação estabelecida com Scott Thorson, um jovem conhecido através de um amigo em comum e em litígio com a família de sangue (aparentemente pela sua orientação sexual). Os filmes biográficos trazem sempre algumas limitações criativas e, nas suas forças e fraquezas, é nessa relação que reside o pulsar do filme, no promíscuo papel de Thorson na vida de Liberace, entre o amante, o filho adoptivo, o secretário, o animal de estimação ou uma simples marioneta.

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Num filme muito centrado em duas personagens, têm importância primordial os actores. Por um lado, tem imensa piada ver Michael Douglas abandonar o lado sério e viril para encarnar uma estrela queer, com todos os maneirismos que lhe estão associados, e fazê-lo de forma tão talentosa. Por outro, com um papel mais complexo e evolutivo, entre o deslumbramento e a destruição iminente, Matt Damon tem um desempenho convincente, fazendo jus a uma certa força psicológica que o filme tem. Vem à memória O Mentor, enquanto filme que, não sendo particularmente marcante e contendo momentos algo arrastado, tem na relação da dupla de protagonistas e no desempenho dos actores a sua principal força motriz.

Com um final artisticamente algo etéreo, em sintonia com a extravagância do pianista, Por Detrás do Candelabro é um filme que não encanta e ao qual falta chama de grande cinema, mas  que é ao mesmo tempo bem contado, dirigido e representado e com suficiente intensidade psicológica no retrato dos protagonistas. Pode não ser uma despedida (temporária ou definitiva) em grande de Sodebergh, mas não deixa de ser um digno fim de ciclo.


sobre o autor

Joao Torgal

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