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A Cidade Onde Envelheço
Título Português: A Cidade Onde Envelheço | Ano: 2016 | Duração: 98m | Género: Drama
País: Portugal, Brasil | Realizador: Marilia Rocha | Elenco: Elizabete Francisca, Francisca Manuel, Paulo Nazareth, Jonnata Doll e Wederson Neguinho

Se há sentimento que se possa definir como homesick, é aquele que encontramos em A Cidade Onde Envelheço, de Marília Rocha. A nova longa-metragem da realizadora brasileira é, além de um retrato da cidade de Belo Horizonte enquanto mix de culturas, uma análise sobre a emigração, a amizade e o que é estar longe do berço. Debruça-se sobre o que é sentir saudades de casa e por muito tempo que se viva num sítio, sentir que não se pertence ao mesmo. A vida que se faz na obrigação de estar longe do seu país para se poder ser alguém. Numa narrativa suave é traçado um percurso tão recorrente nesta actual geração de jovens, cheios de sonhos mas que parece que só longe do sítio onde nasceram é que os podem pôr em prática.

Francisca (Francisca Manuel) e Teresa (Elizabete Francisca Santos) são duas amigas que não se vêem há alguns anos. Cheias de cenários no passado, mas algo distantes no presente. Francisca vive há algum tempo em Belo Horizonte e recebe Teresa, que lhe vem remexer um pouco a vida e as emoções que tem sob controlo.

Com um acting tão natural que parece ser improviso, é muito fácil enamorarmo-nos destas duas personagens, uma tão distinta da outra. Se por um lado encontramos calma, timidez e até alguma apatia em Francisca, a vivacidade e extroversão quase hiperactiva de Teresa vem balancear a convivência entre as duas.

cidade

Percorremos a vida de todos os dias destas duas raparigas, nas suas relações desprendidas, nas amizades que fazem e nos lugares que descobrem na cidade. Uma narrativa que não nos incute dilemas de filosofia, mas que de tão simples se torna rica. Conhecemos as ruas da cidade, os recantos dos jardins e entramos na vida nocturna. Uma das cenas mais bonitas é aquela em que Francisca entra numa loja de discos e procura por um “Caetano” (Veloso) específico. O lojista diz que aquele disco em especial não tem, mas que pode ser o seu dia de sorte e põe a tocar “Soluços” de Jards Macalé, enquanto mergulhamos num grande plano da cidade.

A vida é feita de cortes e o corte final do filme dá-se na decisão súbita que parte de Francisca e que deixa Teresa em suspenso. A partir daí, fica ao nosso critério perspectivar o rumo de ambas. Ver A Cidade Onde Envelheço é olhar a simplicidade das coisas, numa história que podia ser a nossa e que se encontra em qualquer parte do mundo.


sobre o autor

Andreia Vieira da Silva

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