KINO 2017

por Isabel em 8 Janeiro, 2017

A KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã está de regresso para a sua 14.ª edição, com presença marcada em três cidades portuguesas:

– Lisboa: de 19 a 24 de Janeiro; Cinema São Jorge e Goethe-Institut
– Porto: de 26 a 29 de Janeiro; Teatro Municipal Rivoli e Cinema Passos Manuel
– Coimbra: de 1 a 3 de Fevereiro; Teatro Académico Gil Vicente

Na sessão de abertura, a 19 de Janeiro, a KINO 2017 apresenta o filme Fukushima, meu amor, de Doris Dörrie – a realizadora alemã estará presente na sessão. Fukushima, meu amor é um filme actual, tendo lugar no centro do acidente na central nuclear em 2011, mas também intemporal e universal na medida em que aborda a necessidade de partir e dar continuidade à vida. Doris Dörrie conta a história de Marie, uma jovem alemã que viaja para o Japão numa tentativa de fuga de sonhos desfeitos, para se associar a uma organização de ajuda às vítimas da catástrofe. Antes de regressar a casa, Marie conhece Satomi, a última geisha de Fukushima, que decide à viva força regressar à sua casa destruída, no perímetro da zona de exclusão. Ao longo dessa viagem, as mulheres aproximam-se, sendo ambas confrontadas com os fantasmas do passado.

Na sessão de encerramento, no dia 24 de Janeiro, no Cinema São Jorge em Lisboa, será exibido Stefan Zweig – Adeus, Europa, de Maria Schrader, que narra episódios da vida de Stefan Zweig no exílio. No auge da sua fama mundial, o escritor austríaco é obrigado a emigrar e desespera perante a consciência do ocaso da Europa, que já previra precocemente. Rio de Janeiro, Buenos Aires, Nova Iorque e Petrópolis são quatro estações do exílio de Stefan Zweig que, apesar do refúgio seguro, do acolhimento hospitaleiro e da natureza tropical fascinante, não tem paz e não encontra ali substitutos para a pátria. Um filme histórico e belo, sobre a vida de um grande escritor e, simultaneamente, sobre um tempo em que a Europa estava em fuga. A sua estreia nas salas de cinema nacionais está marcada para o dia 23 de fevereiro, assinalando a data da morte do autor.

Com uma selecção de filmes que retratam o real, o filme de abertura está presente na secção KINOdoc. Homo Sapiens de Nikolaus Geyrhalter, é filmado nas ruínas e nos espaços vazios da época industrial parcialmente recuperados pela natureza. São espaços nos quais a humanidade parece ter desaparecido e que, justamente por isso, remetem para a existência humana e para os traços por ela deixados – um presente pós-apocalíptico.

A abordagem à questão dos refugiados e do estado da Europa está presente em documentários como Friedland, da realizadora Frauke Sandig, que relata as experiências e sentimentos de pessoas que se cruzam no campo de refugiados da localidade com o mesmo nome na Baixa Saxónia. Em Havarie (Naufrágio), Philip Scheffner apresenta um trabalho experimental, construído a partir de um vídeo do YouTube que mostra o salvamento de 13 pessoas a bordo de um barco de borracha no Mediterrâneo, uma barreira difícil de ultrapassar para quem ambiciona chegar à Europa.

O documentário de David Bernet Democracy – Im Rausch der Daten (Democracia – Na onda dos dados), também um filme genuinamente europeu, embora num sentido diferente: não olha para fora das fronteiras do continente mas para dentro dos processos legislativos da União Europeia. Desenhando a imagem de uma complexa estrutura de poderes, questiona o estado da democracia na Europa no contexto de uma das questões políticas mais iminentes: Big Data e a protecção da privacidade da população.

Die Prüfung (A Prova), por sua vez, integra-se no foco Novas Perspetivas da KINO, criado em 2016 a fim de dar destaque a primeiras e segundas longas-metragens de jovens realizadores de língua alemã. Estreado, no ano passado, na secção Perspektive Deutsches Kino da Berlinale, o documentário de Till Harms acompanha o exame de acesso à Escola de Teatro Estatal de Hanôver – dirigindo o olhar para um lado a que raramente se presta atenção, o da comissão examinadora.

As duas sessões de curtas-metragens também estão sob o foco Novas Perspectivas. A primeira sessão de curtas apresenta um programa elaborado pelo Goethe-Institut em colaboração com o festival internacional de curtas-metragens de Oberhausen que, sob o título Zur Rettung der Popkultur (Salvando a cultura pop), reúne vídeoclips experimentais do MuVi-Award dos anos 2007 a 2015. A sessão Curtas 2 – KINO em Curtas, por sua vez, agarra as tendências temáticas da Mostra Principal: o olhar sobre a vida de personagens peculiares (Ein Aus Weg, Julian) e questões de imigração (Ali sein Garten), entre outras. A última curta-metragem desta sessão, Die Frau und die Landschaft, é um filme animado baseado num conto de Stefan Zweig – autor a quem a KINO dedica, este ano, a sessão de encerramento com a exibição de Vor der Morgenröte (Stefan Zweig – Adeus, Europa) de Maria Schrader.

A realizadora Maria Schrader e o co-autor do guião Jan Schomburg estarão presentes nesta sessão que é apresentada em colaboração com a Embaixada da Áustria e a Alambique Filmes. O filme terá estreia nas salas de cinema nacionais a 23 de Fevereiro, assinalando a data da morte do autor.

[notícia actualizada em 16 de Janeiro, com informação sobre os filmes de abertura e encerramento]


sobre o autor

Isabel

Escreve sobre Cinema e Séries por aqui. Fala de música em rum.pt/shows/monitor. (Ver mais artigos)

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