Capitão Fausto em filme-concerto: Pontas Soltas

por Isabel Leirós em 18 Julho, 2017

Na 25ª edição do Curtas de Vila do Conde, a secção Stereo acolheu os Capitão Fausto, banda do momento e que causa estridentes e calorosos aplausos na subida ao palco, a fazer lembrar os Beatles.

A carreira dos Capitão Fausto merece o nosso respeito: a sua evolução musical e reconhecimento do público, a par de uma interessante maturação, demonstra trabalho e empenho. Sabem o que querem e são determinados no seu percurso. Partilham connosco esse caminho, enquanto os vemos entrar na idade adulta com todo o estilo.

É impossível não lhes reconhecer talento ou mérito, apesar de não entrarem nas minhas mais regulares opções de escuta.

Em Vila do Conde deram um concerto fabuloso, com um extra face àquele que é a sua rotina de tour: acompanharam a projecção do documentário “Pontas Soltas”, rodado durante a gravação do disco “Os Capitão Fausto têm os dias contados”.

Capitão Fausto

Começámos por ouvir falar do gato de Schrödinger enquanto personificação do paradoxo e ainda de alguns conceitos de Física Quântica que se relacionam com o processo criativo.

À medida que o filme “Pontas Soltas” ia evoluindo, a banda entrava em palco e tocava as suas canções. “Corazón”, “Amanhã Tou Melhor” e “Morro na Praia” foram inevitáveis no alinhamento. Sala esgotada acompanhava Tomás Wallenstein nas letras e dançava na cadeira ao ritmo pop (e qb revivalista) dos lisboetas.

O documentário exibido, contudo, ficou aquém da expectativa. Um registo que se quer cru e realista, um olhar externo à intimidade dos rapazes em reclusão de estúdio, acabou por se revelar amador e desconchavado, sem narrativa nem fio condutor. Mas seria esse o objectivo do realizador Ricardo Oliveira? Pretenderia filmar apenas pontas soltas e reservar respostas para a descoberta d’”Os Capitão Fausto têm os dias contados”? Fica a dúvida no ar.


sobre o autor

Isabel Leirós

“Oh, there is thunder in our hearts” – Fernando Pessoa

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