Retimbrar

Voa Pé
2016 | Edição de Autor | Tradicional, Folk

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Depois de 6 anos a acumular experiências diversas, os Retimbrar editaram no passado dia 1 de Abril o seu primeiro disco Voa Pé, que traz consigo os ecos dos bombos na rua e a emoção das canções partilhadas nos palcos e fora deles. Esta edição de autor com o apoio da Casa da Música, da Cultura Fnac e da Revolução d’Alegria Associação, contém dez músicas, aqui explicadas pela banda.

#1 Ao Alto

Este ritmo surgiu a partir da vontade de criar um código de pergunta-resposta entre os tambores, inspirado em frases tradicionais. Com esse código, foi definida a primeira frase da música, que funciona como uma chamada para o ritmo que se segue, inspirado no ritmo tradicional “malhão”. Inicialmente foi gravada por 10 ou 11 músicos ao mesmo tempo (como sempre tocamos na rua), mas mais tarde sobrepusemos muitos takes de tambores, qualquer coisa como 16 caixas, 32 timbalões e 16 bombos. O take inicial era bom, tinha alta energia, mas faltava aquela massa sonora que já tínhamos experienciado em oficinas de percussão que dirigimos, e conseguimos simular com a sobreposição de muitos takes.

#2 Voa Pé (cá fora)

A primeira melodia da série ‘voa pé’ nasceu numa das primeiras noitadas em que começamos a preparar o espectáculo que veio a ter o mesmo nome. A melodia revelou ser um potencial refrão que se enquadrava em vários registos musicais. No disco registámos as versões ‘cá dentro’ e ‘cá fora’, mas temos outras versões para divulgar no futuro. Esta versão ‘cá fora’, é essencialmente a canção festiva, a começar pelo assobio que mostrou ser uma âncora cativante, dado o espírito por ela despertado.

#3 Deixai o Menino (na rua)

É uma introdução para a música da faixa 4. Foi gravada na rua, em Novi Sad (Sérvia). Tínhamos acabado de fazer uma visita nocturna ao forte da cidade. Vínhamos bem ‘acesos’ e a tocar a música, passou um carro e deu uma buzinadela tão desafinada que até ficou bem. O momento foi tão hilariante (pelo menos para nós), que teve a honra de entrar no disco. Mas não é caso único – o disco tem vários momentos com sonoplastia, onde usamos gravações de ensaios, concertos, da natureza, dos sinos da igreja, do comboio. A ideia foi dar um espaço e um contexto às músicas gravadas no estúdio.

#4 Deixai o Menino

Alguns de nós já conheciam a música original (que serviu de inspiração para esta), mas estava refundido na memória. Foi-nos trazido à tona por um amigo que tocou connosco durante alguns anos, o brasileiro Miguel Arruda. Na altura também tocava connosco o pianista João Grilo, que rapidamente começou a re-harmonizar o tema para a forma que se pode ouvir no disco. A Sara Yasmine juntou-lhe uma sugestão de letra e variação da melodia. Quanto à percussão e baixo, foi simples:  bastou abrir a jaula da loucura e criar o que nos apetecesse. Quase sem regras!

#5 Ao Alto (continuação)

Tal como o título indica, esta faixa é uma continuação da faixa nº 1. Inicialmente tínhamos a ideia de a editar como uma faixa só, mas na fase de edição e escolha do alinhamento do disco pareceu-nos melhor dividir a música em 2 faixas. No final da música, a frase de abertura da faixa 1 é repescada e apresentada de uma outra forma, dando uso ao tal código de pergunta-resposta.

#6 Corre Mundo

Esta música nasceu no cavaquinho, sobre um ritmo de flamenco que o Pancho apresentou ao grupo. A partir de uma melodia surgiu a frase ‘já não há pão’ (que durante muito tempo foi o título da música). Surgiu numa altura em que tomamos consciência de que muitas famílias portuguesas não tinham condições de se sustentar, muitas delas à nossa volta, como famílias de alunos de alguns elementos do grupo. A letra é uma tentativa de dar coragem a quem precisa ser ajudado, e a quem pode ajudar.

#7 Voa Pé (cá dentro)

Este ‘Voa Pé (cá dentro)’ é nitidamente diferente da versão da faixa 2. Partilha o refrão com a versão ‘cá fora’ mas tudo o resto é diferente. Pode ser interpretado como um convite à caminhada interior, à introspecção, à descoberta de nós próprios. Surgiu na altura em que criámos o espectáculo ‘Voa Pé’, para uma cena em que tentamos reproduzir a carga misteriosa que contêm as procissões, momento obrigatório das festas populares.

#8 Trancanhola Crocodélica

Certo dia o Tiago Soares apresentou-nos o ‘charro’ – um ritmo espanhol (da zona de Zamora, também muito tocado em Trás-os-Montes). Foi trabalhado à nossa maneira para ser tocado nas arruadas, e é dos ritmos com mais impacto no público! Para o disco, pensamos numa versão com instrumentos mais pequeninos, e decidimos começar a música com as trancanholas, daí o título. Lá para o fim da música, vem a ‘marralha’ toda desde lá do fundo a tocar o ritmo tal como é tocado na rua.

#9 M.F.P.

Nesta faixa podemos ouvir uma improvisação com base no código de pergunta-resposta que é referenciado na faixa nº 1. A caixa faz as perguntas e os timbalões e bombos respondem. De salientar que as perguntas e respostas usadas nesta faixa não são bem as mesmas da faixa “Ao Alto”, mas fazem parte da mesma “família”. O título da música vem de uma expressão usada entre nós e significa ‘Mantra F***** de Percussão’

#10 Memória

A ‘Memória’ foi a primeira música desenvolvida totalmente em conjunto. Começou com um riff de cavaquinho sobre os adufes tocando o ritmo ‘charro’ e depois cada um foi adicionando novas ‘malhas’: viola, bandolim, flauta, piano. Um ano depois de ter nascido, e depois de já a termos tocado em alguns concertos, foi acrescentada a letra e respectiva parte vocal.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura.

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