MENUMENU

The Dirty Coal Train

Portuguese Freakshow
2018 | Groovie Records, Garagem Records | Garage Punk, Rock

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O duplo LP “Portuguese Freakshow“, dos The Dirty Coal Train, foi lançado em vinil no pasado dia 4 de Maio pela Groovie Records em parceria com a Garagem Records.

Gravado no estúdio Golden Pony em Lisboa e no estúdio King no Barreiro, contou com a produção de Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, dupla que compõe a banda e que nos fala aqui faixa a faixa deste seu novo trabalho.

#1 Miller riding shotgun

Este tema foi composto pelo Ricardo a pensar na voz da Bea a partir de um riff de guitarra com fuzz e da ideia de terminar com as duas baterias. A letra foi escrita pela Beatriz e baseia-se no livro que estava a ler na altura “O colosso de Maurossi” de Henri Miller, as aventuras por terras gregas, o sentido da civilização e a força da natureza.

#2 fake blues for Captain Orange

Desenvolvido com Rodrigo Paulino (que integrou os Puny e a primeira formação dos The Dirty Coal Train) em ensaio juntamente com a banda, é um tema assumidamente anti-Trump.

#3 evil monkey dance

Musicalmente mais dentro do normal da banda (raízes no rock dos 50’s acrescidos de energia punk, uma temática cliché dos anos 50 em que se cantava sobre a nova moda dançável. Claro que no caso da banda essa dança teria de ser o mais bizarro possível e fazer referência a um macaco maquiavélico). A bateria de Carlos Mendes (Twist Connection, Ex-Tédio Boys, Ex-Bunnyranch) foi fundamental para o tema ganhar força.

#4 Jim Stark’s Kicks

Tema sobre agressividade adolescente e inspirado no personagem de James Dean em “Rebel without a cause”. A temática pedia uma sonoridade punk mais agressiva e foi isso que fizemos.

#5 Cactus

Consumo de cactos, cores e psicadelia. Nick Suave é responsável pelo loop rítmico.

#6 Haunted House of El Chincaburro

Chincaburro é um personagem recorrente do imaginário da banda, uma espécie de mistura de burro com um chupacabra. Aqui imaginámos como seria uma banda sonora para uma série como as clássicos “Addams Familly” e “the Monsters” centrada na casa dessa personagem. Bateria novamente de Carlos Mendes.

#7 juvenile delinquent

O tema espelha a nossa versão da temática e sonoridade rockabilly à luz de “Drugstore Cowboy” de Gus Van Sant. Guitarra acústica (coisa rara nesta banda) e guitarra mais cristalina acompanhada de um fuzz para sujar um pouco. Consome-se bastante Blues e algum Rockabilly cá por casa, nomes como Johnny Kidd & the Pirates, Benny Joy, Stud Cole, Carl Perkins, Eddie Cochran, Charlie Feathers, …). Bateria do nosso maquinista (literalmente) de serviço: Mário Mendes.

#8 Cancel the world

Interlúdio mais experimental e negro. Baseado numa sequência de cello e loops feitos pelo Ricardo.

#9 Feast of the Mau Mau

Este tema nasceu da ideia do Ricardo para o riff inicial de guitarra acompanhado com o Sax, função que a Ana Banana (frequente colaboradora da banda) executou na perfeição). A letra partiu do título do tema homónimo de Screamin’ Jay Hawkins para colocar a banda no meio da selva a fugir de uma tribo canibal.

#10 D’Lana’s Thunderpussy

Inspirado em D’Lana Tunnell, actriz fetiche de Michael McCarthy (mestre do cinema Trash), que estrelou em filmes como “The Sore Losers” e em Beatriz Rodrigues, a “actriz fetiche” do Ricardo que escreveu o tema.

#11 Subway Riders - Hey lovers

Os Subway Riders são uma das muitas “bandas irmãs” dos Dirty. Claro que tinham de figurar entre os convidados. O maestro Carlos Dias desenvolveu o tema com Vitor Torpedo (companheiro dos Subway, membro dos Parkinsons, Ex-Tédio Boys,…) e com Jorri (dos A Jigsaw) sobre um romance entre um Padre e um Cigana, alcunhas carinhosas de Marco (da Garagem Records) para o casal Dirty.

#12 summer asphalt

Tema desenvolvido em sala de ensaio pelo duo em conjunto com Carlos Mendes. A letra foi elaborada por Beatriz e é inspirada no casal Sailor e Lula do filme “Wild At Heart” do David Lynch.

#13 open up your door (Richard and the Young Lions)

Um dos “guilty pleasures” da banda é estragar temas clássicos do garage dos anos 60. Esta foi uma das vítimas.

#14 Billy J

A introdução conta com a voz da Ondina (Great Lesbian Show, Pop Dell Arte) sobre uma brincadeira improvisada pelo duo em orgão. O tema é um instrumental simples abrilhantado pela bateria de Ricardo Martins (de Jibóia, Lobster, Cangarra,…) e pelo sax de Ana Banana.

#15 Aniquiladores Intergalácticos

Interlúdio e falso trailer para filme imaginário encomendado ao mestre da rádio Toni Lee (J. Miguel) do “Sangue Eléctrico” que o executou na perfeição.

#16 Tarantella

Na cabeça do Ricardo isto é uma baladinha a 3 tempos sobre estar com a cabeça toda f#dida.

#17 smallest paws

Blues Punk sobre uma gata pequena com a bateria do grande Pete Beat (the Act Ups) e guitarra do mestre Fast Eddie Nelson.

#18 radio friendly filter

Para além de bastante blues e rock também se ouve bastante electrónica experimental dos primórdios em nomes como Morton Subotnick e Bebe and Louis Barron. Para esta faixa a banda explicou parcamente o conceito a Eduardo Vinhas (ex-Pop Dell Arte) que o executou na perfeição. As vozes brincam com o conceito de compra de airplay por grandes e pequenas editoras.

#19 Ghost highway

O tema oscila entre 2 temáticas: a valorização do ridículo como meio criativo e o poeta W. H. Auden. O tema conta com uma bela bateria do Jorge Trigo (do Quarto fantasma).

#20 perfect love / my second wife (Residents)

Medley de dois temas de Residents, gravado em cassete de 4 pistas em casa para tentar pegar mais facilmente na bizarria dos Residents e torná-la sonoramente na bizarria dos Dirty.

#21 Lone Ranger

Mais um tema anti-Trump, desta vez retratado como um “cowboy caso de armário que não sabe dançar”, musicalmente nasceu de uma ideia do Ricardo para riffs de Sax que mais uma vez Ana Banana executou com mestria. A letra foi criada num caderno que passava de um para o outro enquanto passeávamos a pé nos campos rochosos da aldeia da Beatriz.

#22 Jesus loves me, so.. you can fuck off!

O tema é manifestamente contra a militarização e distorção de ideias pacifistas da religião, parte daí para abordar a exploração neoliberal do trabalho e inlcui ainda um manifesto sobre o DIY no refrão ou seja… um tema mais punk embora musicalmente Frank Black e os Oblivians andassem a assolar a inspiração do Ricardo.

#23 Good Guys Don't Wear White (Standells)

Os Standells e os Troggs estão entre as nossas bandas preferidas da década de 60. Claro que tínhamos de estragar um tema deles!

#24 Eulogy for Tod Browning

O tema mais dadaísta do álbum foi composto do seguinte modo: Ricardo pediu a cada um dos membros dos Thee OB’s (Nick Suave, Johnny Intense e Sisley Waddington, também integrantes ou ex integrantes dos The Act Ups, The Ballyhoos e Tracy Lee Summer) para fazer um riff sem conhecimento dos outros, depois pegou em cada um dos riffs e sequenciou-os. Gravou 2 takes de bateria e depois em duo vociferaram diversas coisas.

#25 Catherine

Rockalhada romântica vocalizada por Captain Death (dos Tracy Lee Summer) e com Mário Mendes (dos Conan Castro & the Moonshine Piñatas e dos Monkey Cage) na bateria.

#26 Samouco landscape

Secção rítmica desenvolvida por Sérgio Lemos (dos Great Lesbian Show, Volcano Skin, Dr Frankenstein, Canal Caveira) e Stéphane Alberto (dos Canal Caveira, Duendes do Umbigo) e depois overdubada pelo duo que criou a letra de inspiração psicadélica e guitarras. A flauta discreta está a cargo de Miss Volatile (dos DeCanja).

#27 Cuntilicious

A favor da igualdade sexual e farto de temas rock com referência a felácio Ricardo decidiu fazer um sobre Cunnilingus.

#28 Ahbe Casabe (Eden Ahbez) (Marti Barris)

Adoramos ouvir exótica de gente como Arthur Lyman, Eden Ahbez  e Les Baxter. Não tendo nós capacidade técnica para versões de nenhum deles resolvemos adaptar o tema de Marti Barris sobre a vida de Eden Ahbez e contamos mais uma vez com a flauta de Miss Volatile..

#29 technocrats of Mora Tau

A Beatriz costuma dizer que imagina um rancho folclórico a dançar este tema o que faz sentido pois a letra do Ricardo foi inspirada na notícia sobre a proibição de dançar em espaços públicos nalguns locais dos Estados Unidos.

#30 BSP

Introdução composta por uma montagem sonora de Raquel Castro, tema composto pela Beatriz sobre super cérebros alienígenas que atacam a terra e nos querem chupar o cérebro, mas alguns cérebros terrestres estão demasiados intragáveis tendo em conta o tipo de vida destes tempos modernos e a cultura da bestificação colectiva!

#31 Inside Looking Out (Animals)

Um dos temas preferidos da Beatriz que decidimos estragar com o Orgão de Nick Suave e a Bateria de Pete Beat.

#32 Death Valley North Star

Neste tema decidimos mudar um pouco as nossas regras típicas de composição. Partimos do baixo (instrumento que usamos apenas pontualmente em estúdio para completar ou dar mais força a temas) e até ao final do tema trocámos as habituais guitarras por moogs tocados pelo duo e por Eduardo Vinhas. Para além da bateria houve ainda lugar para umas congas e espanta espíritos diversos. A letra foi um Cadavre-exquis do duo que aborda mais uma vez o “homem das gravatas longas” constituindo o 3º tema anti-Trump do álbum.

#33 Night Of The Chincaburro

Mais uma aparição do Chincaburro, desta vez num interlúdio de invocação tribal!

#34 Squealer´s Parade

Um garage punk de inspiração George Orwell.

#35 drugstore

Tema composto pela Beatriz em que a letra foi directamente inspirada num diálogo presente na curta metragem “Gentrifornicação” realizada pela Francisca Marvão, e exibida em Fevereiro de 2017 no Lusitano Clube, mais um dos espaços desaparecidos do coração de Lisboa.

#36 bewitched (Beat Happening)

Calvin Johnson da K records é um dos nossos músicos preferidos e embora Beat Happening esteja associado maioritariamente ao indie para nós é a par dos Dead Moon um dos maiores exemplos do rock DIY. Este é o nosso tributo um pouco mais distorcido que o original, com o Ricardo a fazer umas guitarras ruidosas durante o tema todo e a duas vozes.

#37 candy corn

Brincadeira em jeito de exercício a duas vozes com bateria do sempre excelente Carlos Mendes.

#38 of wolves & hunters

A Beatriz costuma brincar e dizer que ainda vai ver o Ricardo quando for velhote a fazer versões de Townes Van Zandt em bares mal frequentados. Esta foi uma abordagem a esse formato mais “cantautor”.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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