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Charlie
2018 | Edição de Autor | Pop Rock

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“Charlie” é o nosso disco de estreia e nome da personagem que conta o ciclo de amores e desamores que uma relação entre duas pessoas sofre do início ao fim. Esta personagem é baseada no poeta Charles Bukowski e na sua obra, em especial no poema “Alone with everybody”.

#1 Lighter Weight

A abrir o disco, esta canção com um tempo médio e acordes maiores, tem a intenção de nos deixar abertos a novas ideias e tranquilos em relação ao que irá acontecer no resto da história. A nossa personagem, Charlie, encontra-se numa fase de vida em que se sente resolvido. Depois de um interesse inicial, há uma inevitável comparação entre a ideia de futuro, o presente e o passado de uma relação que, mesmo sabendo de antemão que irá correr mal, nos deixa levar pela curiosidade de viver uma sensação.

#2 Toxic

Tem como base o riff de guitarra e, em comparação com a música anterior, existe um ligeiro aumento do tempo. Na mesma acordes maiores e melodias longas. Bebe muito em Talking Heads.
A atração torna-se cada vez mais física e química, desencadeando um frenesim de sexo, drogas e festas, onde os dias são noites e as noites são dias. A necessidade básica de satisfazer os nossos desejos mais primitivos estão expostos nesse tema onde o limite é inatingível mas sempre procurado. Apenas por um breve momento, enquanto vive todas as sensações (o toque, o suor, o cheiro, o sabor), Charlie pensa conscientemente no delírio que está a viver e surge a pergunta “Será isto a felicidade?”, apenas para ser suprimido por outro momento de loucura.

#3 Happy Trails

Um dos primeiros temas a serem compostos para este disco. Tem como base o riff de teclados que tem como intenção ser constantemente frenético, a bateria acompanha o ritmo de corrida que segura o contador de histórias a falar da monotonia da vida quotidiana. Esta acaba quando a sua curiosidade pelo desconhecido e o seu constante desejo de auto-destruição se sobrepõem ao medo das cicatrizes do passado. Um rastilho seguido, uma aventura nova.

#4 Synthetic Emotions

Gira tudo à volta de um riff de guitarra que tem como base “não mover a mão esquerda”. É um exemplo de como, na fase de produção, trocamos de instrumentos (e posições) e a inocência associada a essa troca proporciona um certo espaço e uma certa liberdade musical que, neste tema, são explorados pela voz, bem como por uma bela letra que dá o mote para a primeira terapia para a cura. As muletas para nos amarmos não são mais do que isso, muletas. O alimento do nosso ego é cancerígeno e alimentado diariamente por tudo o que nos rodeia: redes sociais, tv, pessoas, químicos. Tudo para evitar a solidão e o confronto do “eu”.

#5 Just Like The First Time

Tivemos um amor à primeira audição por este riff de teclados. A estrutura da música é composta por blocos crescentes para dar a sensação que é cada vez mais acelerado e cheio, sendo segurada por uma bateria mais dance do que apareceu até então. O final carregado de instrumentação é um desfecho alegre, que conta a importância de nutrirmos amor-próprio sem nos deixarmos influenciar por amores que nos conduzem para o abismo da solidão e nos perseguem física e emocionalmente. Uma luta interior entre o amor cego e o amor-próprio onde no fim apenas pode existir um vencedor, o “eu”.

#6 Tomorrow’s Breakfast

Composta à volta dos acordes iniciais e do riff de baixo e bateria dos versos com um tempo mais lento e uma atitude de menor folia. Retrata a chegada, inadvertidamente, da paixão à vida de ambas as personagens. O desejo de ser retribuído e amado torna Charlie cego. Confuso, não sabendo se está perante um novo amor ou mais um desgosto, abre o seu coração à espera de obter alguma resposta, mas esta não vem em forma de certeza mas de dúvida. O pior dos monstros, o subconsciente, começa a dar sinais de vida e a pregar partidas. Para Charlie, o pânico começa a ser real, numa repetição indesejada do que tanto custou largar.

#7 Unfinished Business

As caixas de ritmo têm um papel fundamental neste disco, sendo um dos elementos base na concepção e produção das músicas. Unfinished Business tem como base o beat da caixa de ritmos dobrada com bateria acústica e o riff de teclados. A guitarra mais livre lidera as passagens onde a voz descansa a sua história. Um dos temas mais negros e mais tristes harmonicamente leva-nos a um momento catatónico onde Charlie é atingido pela solidão com violência. Inesperada, incompreendida e temida, é o momento de fraqueza que o deixa perdido e confuso. Terá de passar por confrontos pessoais para decidir quem é, o que é e quem quer ser. Charlie apercebe-se dos erros que tem cometido e do brinquedo que tem sido. Sai desta batalha mais forte mas sem certeza de ter vencido a sua própria guerra, estando pronto para jogar mais um episódio do seu próprio jogo.

#8 I’m Leaving You

A estrutura e estética deste tema é semelhante ao de uma discussão de casal. Começando por uma apresentação calma, vai evoluindo e aquecendo até que, depois do caos extremo, existe um esgotamento mental e sentimental.
Este tema, que é o mais melancólico do disco, é o desenrolar do final da história de amor da nossa personagem. Apesar de uma última tentativa de paz, é assumido o caos e todas as consequências que essa decisão traz, servido um pouco como uma catarse de todas as situações anteriores e o resolver do problema.

#9 Walkout

A base assumida neste tema é o riff inicial do baixo que se desenrola para um frenesim de guitarras lead e bateria mais rock. Tema que resolve, tanto musical, como em termos de letra, a história. Por vezes afastar-nos dos focos negativos e deixar que eles próprios se resolvam é a melhor maneira de lidar com um problema. Charlie está feliz, tranquilo e pronto para viver outra aventura que, contrariamente à última, não espera qualquer tipo de desenlace.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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