Entrevista


Pedro Azevedo

São dez festas que refletem a nossa filosofia programática ao longo dos anos e cuja programação tem em conta apenas dois critérios: qualidade e relevância.


Em contagem decrescente para as primeiras celebrações do décimo aniversário do Musicbox, sala de referência desde o seu início para os amantes de música, estivemos à conversa com Pedro Azevedo, programador do espaço, sobre estes 10 anos, os destaques para 2016, os desafios que existem nesta área e o futuro, ponto onde ainda recebemos como bónus uma nova confirmação para a agenda deste ano. Para descobrir de seguida.

Festejar dez anos de existência é claramente um marco importante na vida do Musicbox. Que balanço é que fazes deste tempo?
O balanço é extremamente positivo e a prova é que estamos cá há 10 anos a respirar saúde, cultura e com a consciência do nosso papel e responsabilidade para com a cidade.

Parece-me que um dos maiores trunfos do Musicbox é apostar não só em nomes já consagrados como também apresentar e dar oportunidade a alguns projectos mais frescos e recentes, no entanto, esse é também um dos maiores riscos neste negócio, não? Como programador, quais as maiores dificuldades com que tens deparado e como é que tentas balancear estes dois aspectos?
Com muita coragem. Acho que essa é a característica que melhor define o projeto Musicbox. É impossível alguém que esteja nesta área achar que todos os seus espetáculos vão ser um sucesso. Acolhemos cerca de 400 bandas por ano num total de cerca 1500 artistas. São muitas vozes e muitos géneros para 360 dias.

Balancear não é fácil mas também não é uma tarefa inacessível, o primeiro passo está em motivar as bandas a comunicar o máximo junto do seu público, dos seus fãs. O trabalho e o risco é em grande parte das vezes dividido porque acreditamos que só a trabalhar em parceria é que conseguimos fazer o sector mais próspero.

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Nesse sentido tem sido importante o apoio e o patrocínio da Heineken na programação da sala, na medida em que terem o apoio e colaboração de uma grande marca é sinal que a vossa qualidade é reconhecida?
A Heineken é um parceiro muito importante e muito valorizamos o seu renovado apoio incondicional tal como o de outros parceiros com quem trabalhamos ou trabalhámos ao longo destes anos. Mas não nos podemos esquecer que é o público quem primariamente financia os espetáculos com a compra do bilhete. É uma frase muito pouco romântica mas muito real. E essa é mesmo a parte mais bonita deste sector, haver uma comunhão e ligação de proximidade entre o público e o trabalho que fazemos, é essa cumplicidade que nos dá imenso prazer e nos fez durar 10 anos e projetar outros tantos.

Nestas celebrações do décimo aniversário têm preparadas não uma mas dez noites especiais. O que é que nos podes dizer sobre este ciclo de concertos?
São dez festas que refletem a nossa filosofia programática ao longo dos anos e cuja programação tem em conta apenas dois critérios: qualidade e relevância. As primeiras três já anunciadas refletem muito isso ao misturarmos na mesma rubrica nomes como Stephen O’Malley, The Correspondents, A Place to Bury Strangers, Jay Jay Johanson ou The KVB.

As festas são programadas por nós ou em parceria com pessoas / entidades que estão muito próximas do nosso universo. Em Janeiro acompanha-nos o Mike Stellar que além de ter produzido o primeiro concerto do Musicbox foi um colaborador assíduo durante muitos anos. Fevereiro conseguimos garantir o O’Malley juntamente com a Amplificasom, que produz um dos nossos festivais favoritos, o Amplifest, e é a casa de bandonas como são os HHY & The Macumbas e Process of Guilt. Esperem nos próximos meses alguma insanidade e surpresas várias!

Ao longo destes anos têm também estabelecido várias parcerias com promotoras, promovido várias rubricas com diferentes pessoas, curadorias com músicos, entre outras coisas.. passa também por aí o sucesso do Musicbox?
Sim, claro. Seria impossível termos esta intensidade sem a ajuda e colaboração dos muitos parceiros que nos acompanham ao longo dos anos. Não vou mencionar nenhum em particular mas grande parte acompanha-nos desde o primeiro dia e esse tipo de relação é crucial para a sustentabilidade e renovado interesse no projeto Musicbox. Estamos com as pessoas certas porque também as procuramos. E vice-versa.

Temporada com You Can’t Win, Charlie Brown

Temporada com You Can’t Win, Charlie Brown

Imagino que seja complicado e quase como perguntar a um pai qual dos filhos prefere mas, tens alguns momentos preferidos desde que tomaste conta da programação da sala?
São tantos! Por vezes parece que estamos preparados para responder mas a verdade é que quando surge a pergunta a memória é invadida com inúmeros concertos de que adoramos e nos marcaram. Desde o primeiro concerto de Orelha Negra, aos Cais Sodre Funk Connection, às Temporadas com Linda Martini e You Can’t Win, Charlie Brown, ao Club Docs com os Dead Combo, Future Islands, The Haxan Cloak, The Correspondents, WhoMadeWho, Tim Hecker, RP Boo… enfim, muitos momentos com muitas emoções e de muitos géneros. É mesmo daquelas perguntas em que podia ficar o dia inteiro a responder.

E para 2016, o que é que o público pode esperar do Musicbox? Algo que possas desvendar?
Timing! Enquanto respondia a esta entrevista fechamos o concerto do Willis Ear Beal. É um exclusivo. No global o público pode contar com o nosso sentido crítico (e auto-crítico) para continuar a trazer espetáculos de qualidade e relevantes, que sejam um plus à cena cultural lisboeta. Noites personalizadas (e não necessariamente temáticas) que misturam géneros, formatos e países. Vamos continuar presentes, a trabalhar para a felicidade de todos, nossa e do público.


sobre o autor

Hugo Rodrigues

Multi-tasker no Arte-Factos. Ex-Director de Informação no Offbeatz e Ex-Spammer na Nervos. Disse coisas e passou música no programa Contrabando da Rádio Zero.

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