Entrevista


Mercury Rev

Foi uma longa experiência que fizemos, entre álbuns estávamos numa onda cinemática.


Os Mercury Rev sobem esta noite ao palco do Theatro Circo, no Festival Para Gente Sentada, às 23h30. Não é a primeira vez que os norte-americanos passam pelo nosso país, e em conversa durante a tarde de hoje, o guitarrista Grasshopper recordou o concerto «numa festa de estudantes em que estavam todos de capa». Corria o ano de 2002 e foi na Queima das Fitas de Coimbra. Nas suas palavras «foi uma experiência incrível, surreal, pois não percebíamos o que se estava a passar, nunca tínhamos visto nada do género».

O novo álbum “Into The Light” saiu ontem e espera-se que seja apresentado ao público. E que o podemos esperar do novo trabalho? «Nº 1 nas tabelas. Vai destronar a Taylor Swift», gracejou Grasshopper, que num tom mais sério definiu a edição como «um álbum bem pensado e minuciosamente trabalhado, que demorou bastante tempo a preparar, pois queríamos algo grandioso» com laivos de «surrealismo psicadélico cinemático».

Oficialmente, é o primeiro lançamento de Mercury Rev em sete anos. Em rigor, ainda em 2012 lançaram “Inner Autumn Outer Space”, um álbum com uma faixa apenas de 45 minutos. Não foi uma edição muito falada e à qual Grasshopper comentou “Yeah, I forgot about that», sorrindo. «Foi uma longa experiência que fizemos, entre álbuns estávamos numa onda cinemática. Abrimos para os Swans em Londres e em alguns festivais, na Dinamarca e na Holanda, em concerto projectávamos filmes – chegámos a exibir o filme “Red Balloon” – e musicávamos as imagens. O “Inner Autumn Outer Space” fez parte dessa experiência, uma espécie de resultado dessas bandas sonoras.» Concluímos que o Michael Gira é o responsável por esta breve edição.

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Os Mercury Rev juntaram-se em 1989. São 26 anos de carreira, em que é inevitável reflectir sobre a longevidade do projecto, «que representa muito trabalho, o que também leva a interrupções de sete anos entre edições». Sair em tournée, curiosamente, tornou-se mais difícil, especialmente porque «estamos mais velhos, eu tenho um filho com um ano», confessou Grasshopper. «Torna-se mais difícil nesse aspecto, mas é mais fácil viajar, graças ao GPS e assim. Eu nem me lembro como é que fazíamos antigamente! Chegávamos a Espanha ou a Portugal: eu nem sei como é que fazíamos para encontrar a sala! Mas encontrávamos!», rematou.

Com uma sólida carreira, a banda tornou-se já uma referência para talentos emergentes e não só. Grasshopper contou «quando estivemos em tournée com os Coldplay, eles disseram-nos que se tornaram uma banda por adorarem o “Deserter’s Songs”», o álbum que os Mercury Rev editaram em 1998.

Também evoluiu a forma como a banda chega ao público: «Antigamente, fazíamos entrevistas para revistas como a Mojo ou a NME, que tinham boa distribuição na Europa. Mas agora com a internet, as coisas são diferentes, pois damos entrevistas como esta, para publicações on-line mais pequenas mas que nos permitem chegar a outros ouvintes.»

Recentemente, os Mercury Rev mudaram para a Bella Union, que tem também em catálogo nomes como John Grant, Beach House e Father John Misty, o que facilita a conquista de novos públicos, especialmente nesta geração mais digital. Grasshopper reconhece a importância da estratégia on-line da editora por não ser uma «Kim Kardashian, que publica selfies a cada dois segundos», pelo contrário, são mais discretos e misteriosos.

Para quem ainda estiver em dúvida: tens até às 23h30 para chegar ao Theatro Circo e desfrutar o belíssimo concerto que a banda preparou para o público português, neste Festival Para Gente Sentada.


sobre o autor

Isabel Leirós

“Oh, there is thunder in our hearts” – Fernando Pessoa

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