Entrevista


João Carvalho

O festival cresceu e a vila cresceu com ele.


© Hugo Lima

João Carvalho é um dos rostos mais visíveis e reconhecidos pelo público do festival Vodafone Paredes de Coura. Carismático e naturalmente empático, frequentemente o vemos em conversa com o público que tanto o acarinha. Aliás, se o procurarem no Instagram, rapidamente perceberão o cuidado com que acompanha as operações de preparação no terreno, partilhando connosco todo o processo nos lives e em stories.

Há já 25 anos que nos abre as portas do seu jardim, e nesta edição tão especial de festa, trocámos umas linhas com ele.

Em que ano é que percebeste que Paredes de Coura se tornara um fenómeno de culto à escala nacional?

Logo na terceira edição sentimos que o festival tinha por onde crescer, mas foi em 1999 que tivemos a certeza de estar a construir algo especial. Foi o ano da primeira grande enchente o que nos fez, por exemplo, ter de andar a contratar mais campos do que os previstos para o campismo, antes do festival começar, e percebemos que tínhamos essa dimensão à escala nacional.

A conferência de imprensa de apresentação do cartaz final teve lugar em Lisboa, a 400km do local do festival. A que se deveu essa decisão?

Sendo o mundo de hoje uma aldeia global, fizemos a conferência de imprensa este ano em Lisboa como já fizemos outras no Porto ou em Paredes de Coura. Aliás, em 25 edições, existiram meia dúzia de conferências. Honestamente, não gosto delas e sempre que podemos evitamos. Não por falta de respeito à imprensa mas por ser uma situação em que não me sinto particularmente confortável. Ainda assim, quando se justifica, comunicamos nesse formato, e isso, felizmente, pode acontecer aqui como em Lisboa ou noutra cidade qualquer.

Em que medida um festival desta dimensão tem impacto no desenvolvimento económico e financeiro local?

O festival cresceu e a vila cresceu com ele. É naturalmente bom para o negócio e não só tem impacto no desenvolvimento económico como igualmente no enriquecimento afectivo das pessoas.

Sentes que com o passar dos anos a produção do festival se torna mais simples?

Não porque nós gostamos de complicar. 🙂 Todos os anos gostamos de melhorar, inovar, e isso “dificulta” a montagem num terreno que é sempre necessário tratar com cuidado. Tudo é pensado ao pormenor e o terreno é por si só difícil para qualquer infraestrutura.

Como foi programar a edição de 2017? Sentiram necessidade de a tornar ainda mais especial?

Todos os anos nos esforçamos para que seja especial e acabamos a achar, dentro das condicionantes, como por exemplo as bandas que estão na estrada na altura, que é a melhor edição de sempre. Começámos a trabalhar nas contratações deste ano com ainda mais antecedência para que fosse mais marcante, mas queremos sempre mais e melhor. Quem sabe se para o ano não é ainda mais marcante!

Costumas ir a festivais? Onde te podemos encontrar?

No NOS Primavera Sound. 🙂

Tens uma relação muito pessoal com o público do festival. As pessoas abordam-te na rua nos restantes 11 meses? E pedem-te bandas para o cartaz? Qual o pedido mais inusitado de sempre?

Sim e gosto de alimentar essa cumplicidade pois reflecte-se no festival e nas ligações que criamos. Diz-me quantos festivais existem em que as pessoas sabem a sua história. Aqui sempre tivemos uma relação honesta, uma abertura especial e por isso as pessoas conhecem histórias, decoram cartazes e a cumplicidade vai crescendo, e ainda bem. Pedem-me bandas, claro, principalmente nas redes sociais e já descobri bons artistas por sugestões do público. Mas conhecem demasiado bem o festival para me fazer pedidos inusitados.

Assumo que saibas, mais-ou-menos, a nacionalidade dos estrangeiros que visitam o festival. Qual a origem mais longínqua ou exótica?

Vêm de todo o lado, já vendemos para o Irão, Israel… Este ano, por exemplo, temos uma rádio ucraniana que vai fazer directos.

Consegues recomendar três concertos imperdíveis nesta edição? Benjamin Clementine não conta, já te sabemos grande fã!

Jambinai, Timber Timbre e Beach House porque ainda gosto mais do que de Benjamin Clementine!

 

O Festival Vodafone Paredes de Coura regressa já de 16  a 19 de Agosto, com um cartaz de excelência, com muita diversidade de géneros e geografias. Espreitem a nossa antevisão e sugestões para esta edição.

sobre o autor

Isabel Leirós

“Oh, there is thunder in our hearts” – Fernando Pessoa

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