Entrevista


Jessy Lanza

Se alguma coisa mudou, foi a confiança em mim própria e na capacidade de tomar decisões em relação à música que estou a criar.


© Alex Welsh

Se em 2013 tivemos o privilégio de conhecer uma Jessy Lanza minimalista, assertiva e confiante o suficiente para dar espaço às suas próprias canções, três anos depois Lanza recusa-se a ser uma personagem (leia-se: voz) secundária na sua própria arte.

É de energia, de pop e de manifestos internos que é feito o último álbum, “Oh No”, autêntica prova de que a vulnerabilidade nem sempre é feita numa escala de cinzentos.

O “Oh No” é muito mais energético do que o “Pull My Hair Back”. Ou arrojado, será a melhor palavra para o descrever. Há alguma razão por detrás disto?

Eu sinto-me arrojada! Apetece passar-me completamente quando estou em palco e o “Oh No” é um reflexo disso.

A electrónica foi sempre um plano pessoal? Sei que estudaste jazz.

Estudei jazz e aborreci-me, entretanto. E tinha bastante material de electrónica comigo, por isso comecei a experimentar e olha onde estou agora!

Como é que o Kode9 te convenceu a assinar com a HyperDub?

Antes do “Pull My Hair Back”, eu e o Jeremy Greenspan (produtor/Junior Boys) enviámos imensas demos para labels diferentes e o Kode9 foi o único que se mostrou interessado em lançar o nosso material.

Voltando ao “Pull My Hair Back”, já que esse disco é diferente do último, como é o que teu processo mudou?

O meu processo de criação não mudou entre o “Pull My Hair Back” e o “Oh No”, nem o do Jeremy. Se alguma coisa mudou, foi a confiança em mim própria e na capacidade de tomar decisões em relação à música que estou a criar.

Achas que ainda existe uma certa desigualdade entre homens e mulheres na música electrónica? Como é que a indústria deve mudar isto?

Nem sei bem… Parem de ser otários sexistas. De resto, não sei bem o que sugerir mais.

Organizaste um workshop de música eletrónica para raparigas mais novas na tua cidade (Hamilton, Ontario). Como é que isso foi para ti?

Foi incrível! Espero voltar a fazer mais desses.

Ainda vives na cidade onde nasceste que, por sinal, é pequena. Como é a “cena” musical por lá?

É bastante pequena, sim, mas o Strangewaves (festival) está sempre à procura das bandas mais interessantes e excêntricas para trazer até cá.

Alguma vez pensaste em ir para outra cidade?

A toda a hora! Mas duvido que saia.

Já mostraste alguma ansiedade, no passado, em ter uma carreira na música. Ainda sentes isso?

Sim… Se não é uma certa coisa que me deixa nervosa, é outra qualquer. Eu gosto de me queixar e fazer música permite-me isso, felizmente.

E agora?

Tenho imensos concertos a acontecer nos próximos meses. Podias divulgá-los!

Pois bem – o “Oh No” tem digressão garantida, nos próximos meses, em sítios como o Pitchfork Music Festival, o Le Guess Who, entre outros. Mais informação aqui.


sobre o autor

Rita Neves

Música nas horas vagas e nas outras também.

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