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Óscares 2018: a equipa Arte-Factos lança as suas apostas

por Arte-Factos em 3 Março, 2018

Faltam escassas horas para a 90ª cerimónia de entrega dos Óscares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Num ano particularmente agitado para a indústria cinematográfica norte-americana, as expectativas centram-se não apenas nos potenciais vencedores mas também no dress code e discursos políticos em torno dos temas quentes,que têm marcado a temporada. Irão as actrizes usar preto na cerimónia, em apoio ao movimento Time’s Up? Quem fará o discurso mais inflamado da noite? Que prémio merecerá uma ovação de pé? Estará Jimmy Kimmel à altura do acontecimento? Ficaremos a saber tudo na madrugada de 4 de Março, por ora, aqui fica a opinião da equipa Arte-Factos.

Melhor Filme: pontuação pela equipa Arte-Factos (escala 1 a 10)

 

As previsões de Bruno Ricardo

Filme

Basearmos-nos em estatísticas para lançar uma previsão sobre quem vence este categoria no ano de 2018 é um pouco como achar que o amor tem motivos racionais: é uma mistificação. Todos os nomeados falham algum percursor importante, seja o SAG, o DGA, a presença na categoria de montagem ou na de realização. Algumas são mais penosas do que outras, mas todas sacrossantas. No entanto, apesar de tudo, as coisas não estão tão baralhadas como se pensa. Apesar da toada política da cerimónia deste ano, Get Out e Lady Bird não ganharão: para começar, porque ambos se anulam; e também porque se tivesse de ganhar algo de relevante já o teriam feito por esta altura (o Globo de Ouro de melhor comédia seria significativo no caso do segundo, mas a concorrência que enfrentava era fraca). Tudo somado, é uma luta a três entre Dunkirk, The Shape of Water e Three Billboards outside Ebbing, Missouri. O primeiro ganhará algumas categorias técnicas (as duas de som, penso eu, estão garantidas), mas pouco mais. O segundo levará pelo menos realizador e talvez uma ou outra técnica. O que nos leva ao terceiro: ganhou o SAG, que representa o maior corpo de votantes da Academia e tem contra si apenas uma não nomeação de melhor realizador, o que é algo de notório. Isto deveria dar a vantagem ao filme de Guillermo del Toro, mas este não foi nomeado para o SAG. Ora, em 23 anos de existência, nunca um filme ganhou o principal Óscar sem esta nomeação. Isto é importante e com a vitória nos BAFTA, a obra de Martin McDonagh tem a vantagem de momento e é a minha previsão. Mas não me repitam a dúvida para a semana, ou então posso responder diferente! Devia ganhar Phantom ThreadÉ o melhor dos nove. Para mim, é o que basta.

Actores

Gary Oldman interpreta Churchill. Gary Oldman é um ídolo de quase todos os actores. Daniel Day-Lewis diz que Gary Oldman merece. Toda a gente anda há anos à procura de um pretexto para dar um Óscar a Gary Oldman. Gary Oldman (Darkest Hour) ganha o Óscar. A conta não é nada difícil de fazer. Mas quem quiser mais, aqui têm: ele ganhou tudo até agora. Chega?  Devia ganhar Gary Oldman. Daniel Day-Lewis está taco a taco na qualidade, mas tem 3 estatuetas no saco. Não seja garganeiro, amigo. Quanto aos actores secundários, Sam Rockwell tem sido, nas últimas décadas, um daqueles actores pelos quais toda a gente tem uma simpatia, o chamado actor’s actor: carismático, talentoso, passa assim fora do radar, mas é uma cara familiar. Como outros tantos dele, só precisava do papel certo para lhe caírem no colo todos os prémios. O seu Jason Dixon tem quase todos os traços clássicos de vencedor desta categoria: um toque de vilania, um pouco de transformação física, não sendo secundário o suficiente para desaparecer longos períodos do filme; e tem Sam Rockwell limpando o ecrã sempre que aparece nele. O Oscar está entregue. Para além disso, como Oldman, tem limpo tudo. É de caras, esta. Devia ganhar Rockwell. Todos os outros vão bem, mas este ano é de um acima dos outros.

Actrizes

Frances McDormand tem isto no bolso desde basicamente o momento em que o filme estreou. É uma daquelas performances que os actores gostam, cheia de nuances suficientes para chamá-la de complexa, icónica, com monólogos incríveis e veneno o suficiente para que McDormand se delicie. O melhor de Three Billboards outside Ebbing, Missouri são os actores e McDormand não só está em plena forma: ela dá forma plena à personagem no guião de McDonagh. Devia ganhar Margot Robbie, por I, Tonya. McDormand é indiscutível, mas o que Robbie faz num filme que carrega aos ombros é surpreendente para lá de tudo. Não sei se ela é fiel como Tonya Harding, mas prendeu-me ao ecrã. É mais do que posso dizer de Saoirse Ronan, a queridinha que metade da politicada deste ano anda a tentar empurrar para uma vitória. Nope. Quanto à categoria de melhor actriz secundária: Até à cerimónia dos BAFTA, estive na dúvida entre Alison Janney e Laurie Metcalf. A minha lógica é que Lady Bird ganha um Óscar, sob pena de irromper gente com archotes no Kodak. Ou é aqui ou em argumento original. Depois de ontem, ficou claro que não será aqui. Janney tem vindo em victory lap sem interrupção e é uma daquelas trabalhadoras da indústria que dará gosto recompensar. Se o prémio fosse entregue a Metcalf não ia mal. Ou a Lesley Manville. Mas Janey ganha, e ganha bem.

Realizador

Guillermo del Toro. Dá-me um enorme prazer escrever isto por duas razões. Em primeiro, porque gosto bastante do seu trabalho; em segundo, porque é um prémio para o cinema de género, habitualmente afastado dos Óscares. Goste-se ou não The Shape of Water, é um filme claramente de autor, de uma visão pessoal que se concretiza no ecrã e isso é sempre trabalho de realizador, ainda por cima de um que domina claramente todos os instrumentos que os grandes realizadores têm. Ganhou o DGA, ganhou o BAFTA, ganhou o Globo de Ouro. Gerwig e Peele dividirão os votos dos SJW na Academia. Nolan está lá e já é bom. Era o único dos “3 amigos” do Mexico que faltava premiar. A partir de dia 4 de Março, deixa de ser. Devia ganhar Paul Thomas Anderson (Phantom Thread). Como Fincher, anda há anos a merecer. Phantom Thread é o melhor dos nove nomeados e um flme superlativo. Não é este ano; mas começa a cheirar a inevitabilidade, mais cedo ou mais tarde.

Filme Estrangeiro

Uma das categorias mais imprevisíveis da noite, como quase sempre. Há dois ou três filmes com razões suficientes para serem considerados o preferido. Sem ter visto todos, dá-me ideia que Una Mujer Fantástica e The square – um pelo significado político, outro por ter vencido a Palma de Ouro em Cannes – são claramente favoritos. Os candidatos da Rússia e Hungria também rondam ali, mas parece-me que será entre estes dois. Escolho The Square, neste momento é o único que vi. Mas é uma das categorias mais abertas da noite.


As previsões de Edite Queiroz

Filme

Como de costume, o lote de nomeados é algo desequilibrado (como comparar um portento  de efeitos state-of-the-art tipo Dunkirk a uma obra íntima como Call Me By Your Name ?). Resta-nos avaliar o todo enquanto média ponderada das partes – critério que, como se sabe, nem sempre é seguido pelos votantes da Academia. Fosse essa a norma, Phantom Thread seria o justo vencedor da noite, pela razão simples de ser o melhor dos filmes nomeados. Dificilmente será esse o resultado, sendo mais provável que o Óscar seja entregue a Three Billboards outside Ebbing, Missouri, ou, de forma mais perturbadora, a The Shape of Water.

Actores

Se este ano há uma absoluta certeza é no Óscar de melhor actor. Este é o ano de Gary Oldman (Darkest Hour), que aos 59 anos e com uma carreira irrepreensível, não tem ainda nenhum Óscar no currículo. A Academia poderá no entanto optar por dar um prémio de despedida a Daniel Day Lewis (o que, apesar de merecidíssimo, é duvidoso). Nos secundários, as atenções estão voltadas para Sam Rockwell e Woody Harrelson, ambos por Three Billboards outside Ebbing, Missouri. Qualquer um merece o prémio, no entanto, a confirmar-se a tendência dos últimos certames, a estatueta é de Sam Rockwell.

Actrizes

O Óscar de melhor actriz irá certamente parar às mãos de Frances McDorman pelo seu incrível desempenho em Three Billboards outside Ebbing, Missouri – e não há nada a dizer, já que será uma justíssima vencedora. Nas actrizes secundárias, o cenário repete-se: a vencedora provável é Allison Janney, pela sua negra (mas divertidíssima) personagem em divertidíssimo I, Tonya.

Realizador

Nem sempre a Academia atribui o prémio de melhor realização e melhor filme à mesma obra. Nesse sentido, caso o filme falhe o prémio máximo, é possível que Guillermo del Toro leve para casa o primeiro Óscar pela realização de The Shape of Water. Num cenário alternativo, a Academia poderá optar por, inexplicavelmente, premiar Greta Gerwin pelo seu altamente sobrevalorizado Lady Bird. Mas de prémios inexplicáveis também se tem feito a história dos Óscares. Se houvesse justiça neste mundo, o prémio seria de Paul Thomas Anderson.

Filme Estrangeiro

Esta é a categoria em que ninguém arrisca palpitar, já que todos os filmes merecem os mais rasgados elogios. O grande favorito é o sueco The Square, contudo, e tendo em conta que Andrey Zvyagintsev (Loveless) já ganhou nesta categoria, seria uma belíssima surpresa se a Academia tivesse um gesto de apreço para com On Body and Soul, o fabuloso filme de ldikó Enyedi, da Hungria.


As previsões de João Torgal

Filme

Numa temporada muito monocórdica, Three Billboards outside Ebbing, Missouri venceu o Globo de Ouro e o BAFTA e deve também ganhar o Óscar. Com um argumento pouco consensual (e consistente?), será Hollywood a premiar o retrato negro da América profunda em detrimento do saudosismo e da bela homenagem à fantasia clássica e ingénua de The Shape of Water.

Actores

Gary Oldman (Darkest Hour) foi verdadeiramente Churcill (que trabalho de interpretação, mas também de caracterização) e tem limpado tudo o que é prémios: o Globo de Ouro, o BAFTA e o galardão do sindicato dos actores. Deve ganhar também o primeiro Óscar da carreira, impedindo a quarta estatueta de Daniel Day Lewis ou a terceira de Denzel Washington, que volta, pelo segundo ano consecutivo, a ter um belo papel, no discreto Roman J. Israel, Esq. Nas interpretações secundárias, também Sam Rockwell tem ganho tudo o que há para ganhar e deve vencer o primeiro Óscar. Destaque, nas nomeações, para Willem Dafoe e Christopher Plummer. São óptimos desempenhos em filmes pouco interessantes e, no caso da interpretação de Plummer, apesar da troca de última hora, trata-se da única coisa que vale a pena na obra de Ridley Scott.

Actrizes

Não deverá haver surpresas nas interpretações femininas. 21 anos depois de Fargo, Frances McDormand voltou às mulheres duras da América profunda e deverá ganhar nova estatueta pelo brilhante desempenho em Three Billboards outside Ebbing, Missouri. Apesar da Amelie 2018, protagonizada por Sally Hawkins. Também, nas actrizes secundárias, os prémios têm ido todos para Allison Janey, a diabólica LaVona de I, Tonya. Destaque, nas nomeações, para os papéis pouco relevantes de Mary J. Blige e, principalmente, de Octavia Spencer. Se o movimento OscarsSoWhite não contribuiu para haver mais papéis relevantes de negros, mas apenas para nomeações para cumprir cotas e evitar protestos, então foi tudo em vão.

Realizador

Nos últimos dois anos, os prémios de melhor filme e realizador foram divididos por títulos diferentes. O último a ganhar ambos foi o mexicano Alejandro González Iñarritu, com Birdman, em 2015. O compatriota Guillermo Del Toro (The Shape of Water) dificilmente fará a dobradinha, mas deve confirmar a tendência da temporada de prémios e ganhar o Óscar de realização.

Filme Estrangeiro

É um dos Óscares mais imprevisíveis, dado que os vencedores nos Globos de Ouro e dos BAFTA nem estão nomeados. Era bonito, pela primeira vez, galardoar a vitalidade do cinema chileno, com o poderoso Una Mujer Fantástica. Ou, 23 anos depois de Bergman, a vitória ir para a Suécia, para o idiossincrático Robin Ostlund. A confirmar-se, The Square faz a dobradinha: Palma de Ouro em Cannes + Óscar.


As previsões de Natália Costa

Filme0

Acho que o Óscar vai estar entre The Shape of Water e Dunkirk, mas apostaria que a Academia o atribui a The Shape of Water. Estes dois, juntamente com Call Me By Your Name, são as três melhores obras a concorrer na categoria de melhor filme. Dunkirk é extremamente original e foi filmado de forma soberba, mas The Shape of Water é um conto de fadas dos tempos modernos e parece-me que é isso que está a fazer falta a Hollywood e, como tal, o melhor filme deverá mergulhar nesta obra.

Actores

O Óscar de melhor actor é definitivamente de Gary Oldman (Darkest Hour)! Acho que a Academia não vai falhar. É mais do que merecido! Apesar de Daniel Day Lewis ser o meu actor preferido, Gary Oldman tem uma interpretação arrebatadora que supera de longe qualquer um dos outros nomeados, à excepção de Lewis. Sobretudo a nomeação de Daniel Kaluuya, que me pareceu forçada num acto de mitigar as polémicas raciais que têm vindo a ser tema da atribuição dos Óscares nos últimos anos. Sou da opinião de que mais do que Kaluuya mereceria a nomeação Hugh Jackman por The Greatest Showman. Quanto ao actor secundário, é difícil de prever e, na minha opinião, será bem atribuído a qualquer um dos nomeados. Julgo que estará entre Richard Jenkins e Sam Rockwell. A ver o que a Academia decide!

Actrizes

Na categoria de melhor actriz, o terreno é incerto! Para mim seria garantidamente Margot Robbie, que tem uma interpretação extremamente marcante e inesquecível! No entanto, também teremos de considerar o belíssimo trabalho de Sally Hawkins e a minha all time favourite Frances McDormand. Poderá ir para qualquer uma destas três senhoras, mas eu apostaria em Margot Robbie por este papel absolutamente acutilante que nos ofereceu. Quanto à actriz secundária, o Óscar é de Definitivamente Alisson Janney, por I, Tonya, embora o nome de Lesley Manville possa surpreender nessa noite. Apesar de Octavia Spencer ser uma excelente actriz, a sua nomeação para esta categoria pareceu-me um exagero no papel banal que representou e, mais uma vez, fruto das polémicas raciais. Faria mais sentido ver Kristin Scott Thomas com Darkest Hour nesta lista.

Realizador

Acho mais uma vez que vai estar entre Christopher Nolan com Dunkirk e Guillermo del Toro com The Shape of Water. Eu atribuiria a Christopher Nolan pois achei o Dunkirk uma obra extremamente bem dirigida e muito original, com uma realização notável e marcante. Acho também que o Óscar para Nolan já é mais do que merecido. No entanto, é incerto prever o que a Academia irá decidir e dadas as polémicas atuais, o Óscar pode bem ir parar a obras menores com Lady Bird, de Greta Gerwig.


As previsões de Sandro Cantante

Filme

Há dois filmes que se têm destacado como possíveis vencedores este ano: Three Billboards outside Ebbing, Missouri. Pode haver uma – altamente injusta – surpresa e The Shape of Water acaba por roubar o Óscar de melhor filme, ao estilo de Moonlight, mas a verdade é que o filme de Martin McDonagh é o concorrente mais forte nesta categoria. A Academia vai desconsiderar aqui filmes como Call Me By Your NamePhantom Thread, que já percebemos desde cedo que não contam.

Actores

Não há história nenhuma aqui, Gary Oldman (Darkest Hour) leva o Óscar. Era bonita a homenagem na despedida de Daniel Day-Lewis, mas será altamente improvável essa surpresa.

Actrizes

Menos claro é o prémio para melhor actriz, ainda que Frances McDormand se mostre como a escolha mais óbvia pelo óptimo trabalho em Three Billboards outside Ebbing, Missouri, onde foi o verdadeiro motor do filme. Margot Robbie não seria uma escolha difícil de aceitar também, mas as restantes parecem ser cartas fora do baralho, independentemente da óptima prestação de Saoirse Ronan em Lady Bird e da sempre destacada Meryl Streep.

Realizador

Apostaria em Greta Gerwig (Lady Bird) nesta categoria, contando apenas com a competição de Guillermo del Toro no caso de The Shape of Water não vencer na categoria de melhor filme. Nolan merecia pelo trabalho em Dunkirk, irrepreensível na realização, mas o mais provável é o filme sair da cerimónia sem vencer em nenhuma categoria relevante.

And the Oscar goes to


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Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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