Tobias Jesso Jr.

Goon
2015 | True Panther Sounds | Indie, Folk

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Perdido numa legião de baladeiros com páginas do Facebook com 200 fãs e vídeos no YouTube com umas dúzias de visualizações, saiu a Tobias Jesso Jr. a sorte grande. O produtor e baixista dos defuntos Girls (JR White) adorou o que ouviu, a Pitchfork e Stereogum deram-lhe tempo de antena como dão a poucos e a True Panther (editora ligada à Matador) dedicou-se a lançar uma série de flexi singles e o seu disco de estreia. Não há que o esconder: como tantos outros antes dele, Tobias Jesso Jr. foi um dos escolhidos pela hype machine e tem o mundo aos seus pés.

Quem vir a originalidade como um dos principais pilares num disco de canções pode aproveitar e fechar esta janela agora. Não há absolutamente nada de inovador em Goon. Ouvintes avessos a simplicidade também podem abandonar o barco. As letras são simples, directas ao assunto – e, convenhamos, aqui e ali, até um pouco básicas. As questões que importam colocar são as seguintes, num momento em que um pretenso sentido de originalidade e sofisticação, mesmo que plástico, parece ser pré-requisito para se ser notado fora do mainstream: é mesmo necessário inovar para se notabilizar? E como pode a complexidade ser factor decisivo na apreciação de uma obra quando, por vezes, tudo o que queremos é um punhado de boas canções?

É verdade: “Can We Still Be Friends” tresanda a canção a solo de John Lennon, “Crocodile Tears” também beberá água Beatle. “Tell the Truth” será certamente uma homenagem a Nick Drake, tive de pesquisar se “For You” não será uma cover de Fruit Bats. Certamente já terão ouvido algo muito parecido a “Leaving LA” em qualquer lado. A guitarra da “The Wait” foi sacada ao segundo disco de Tallest Man on Earth, certo?

“How Could You Babe”, por outro lado, é o som dos Girls a continuar o seu caminho através da voz e composição de Jesso e da produção de White, ao invés de seguir o do seu antigo vocalista, o menos inspirado Christopher Owens (Lysandre era insípido e esquecível, o segundo disco em nome próprio não é muito mais interessante). Até os coros, certeiros e perfeitamente entrelaçados nas teclas e na límpida voz de Tobias Jesso remetem imediatamente para os do essencial Father, Son, Holy Ghost com que os californianos se despediram há quatro anos atrás. A sombra de JR White estende-se um pouco por todo o disco: quase todas as canções foram produzidas por si. Mas a fatia maior do mérito é de Jesso: para além de bem conseguidas, as canções soam sinceras. Não há risco, é certo, mas também não há um pingo de pretensão. A simplicidade de Goon acaba por se tornar uma das suas maiores virtudes.

Em “Hollywood”, um desiludido Tobias Jesso Jr. narra a história do seu falhanço, lamenta a ausência de oportunidades com que foi brindado num lugar oco como o afamado lugarejo de Los Angeles – como poderia um rapaz tão humilde e com tão bons valores ser desprezado? – e relata o subsequente pendurar das chuteiras, o regresso a casa em Vancouver, bolsos vazios e coração partido. Graças a uma sortuda combinação de entidades (voltar ao primeiro parágrafo) foram-lhe reabertas as portadas do sonho americano. Se foi produzida uma estrela ou um fugaz cometa, ninguém sabe. Mas não chocaria ninguém caso Jesso agarrasse a oportunidade com as duas mãos.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura.

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