MENUMENU

The XX

Coexist
2012 | Young Turks | Indie Pop

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Três anos é quanto nos separa de um instante que ficou gravado na memória. Ninguém neste mundo parece ter esquecido o dia em que se deixou arrastar pelos primeiros acordes de Crystalised – canção e videoclip enigmáticos que deram a conhecer quatro tímidos adolescentes que mal sabiam que o impensável lhes tinha acabado de cair nos braços. 22 milhões de visualizações depois, os XX marcaram uma geração. Tudo aquilo que depois deles foi possível acontecer em termos musicais, apenas ajudou a catalogar XX como um clássico imediato.

O trajecto imaculado, que ganha agora com Coexist novos trilhos por descobrir, parece querer repetir a mesma lição que a banda sempre gostou de ensinar: no silêncio também se faz música. Ouvimos em Angels e Chained, as duas primeiras amostras de Coexist, os mesmos ensinamentos do passado. Se a Angels falta a exuberância inaugural que Intro ainda hoje parece possuir, Chained começa, por outro lado, a fazer-nos perceber que este é mais um jogo que se decide nos detalhes. Seja pela alma que une Romy Madley Croft e Oliver Sim nos frágeis e sombrios diálogos líricos de perguntas sem resposta, ou seja pela presença cada vez menos invisível deste fantasma chamado Jamie Smith, começamos a ver ser renovada a natureza ímpar de todos estes pormenores.

Já aquando do inigualável concerto da banda na Aula Magna, em Lisboa, as canções de XX pareceram a momentos algo desprotegidas neste universo onde reina a fragilidade. Talvez fosse esse ainda um processo de habituação a outras formas musicais tão experimentadas com James Blake ou com o próprio Jamie XX, mas toda esta delicadeza parece servir-se em Coexist de um véu mais espesso e complexo, tecido em cada canção por um conjunto de simples elementos a comando de Jamie Smith. A frescura de Fiction ou de Reunion vive exactamente dessa habilidade electrónica. A deslumbrante Missing eleva até outro nível a simbiose entre as capacidades musicais do trio enquanto que a mais aveludada Tides se vai transformando a cada nova camada.

O fim vai chegando com Swept Away, canção que encerra em si tudo aquilo que muitos tínhamos medo de só poder escutar uma vez na vida. Conforto, drama, isolamento, pureza, calma – Coexist é um (re)encontro marcado com o universo exclusivo dos XX.  A sorte não bate à mesma porta duas vezes. Esta malta sabe mesmo o que faz.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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