MENUMENU

The Agnes Circle

Modern Idea
2015 | End Result Productions | Post Punk

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Não me lembro como conheci os londrinos The Agnes Circle, mas isso não é particularmente relevante. Também não é particularmente relevante aludir a todos os revivalismos estilísticos que testemunhamos actualmente e a como se vai reinventando, ou tentando teimosamente reinventar, certas sonoridades mais para se “ser da cena do que propriamente para se fazer algo minimamente interessante. Tudo bem, até aí nada de novo; mas quinhentas mil bandas com nomes parvos a fazer um indie inofensivo ou um pseudo-shoegaze impotente… para quê? Felizmente, há sempre um projecto ou outro que mesmo sem ser particularmente original tem personalidade e destaca-se.

The Agnes Circle é composto por Florian Voytek e Rachel Redfern, e a banda deambula algures entre o daydreaming do shoegaze e o esgotamento nervoso do post-punk. Nem meio ano de existência têm e já são uma pequena promessa, um darkhorse pronto para sair da penumbra. É só alguém pegar neles como pegaram nos Savages e vão ver.

Apenas três meses após a formação da banda, lançaram sem grandes alaridos Modern Idea, um EP com cerca de 15 minutos de duração, honesto, competente e fresquinho o bastante.

“Ceramics”, apesar de revelar muitas reminiscências do universo do post-punk e do rock alternativo, consegue vingar em apresentar-nos uma banda com carácter e faz-nos pensar, “uhm, deixa-me cá ouvir isto como deve de ser”. Duas faixas mais tarde já nos imaginamos no meio de uma selva de betão “brutalista” onde imperam o cinzento e ventanias fustigantes – no entanto, a música dos The Agnes Circle não repele, antes conforta de alguma maneira. À chegada de “Sister Flux” (o primeiro tema que a banda escreveu) já  estamos convencidos – culpemos a guitarra meio dissonante a abraçar um drum-beat taquicardíaco de uma discoteca dos melancólicos crónicos.

A chegar ao fim, e já com o dedinho no repeat, não nos sentimos nada defraudados. Modern Idea é frio, outonal e muitas vezes dançável.  Imaginemos que por um qualquer desígnio cósmico trocava-se as voltas ao tempo, e de repente uns Weekend, ou uns Anne, e os Joy Division estão enfiados na mesma sala num subúrbio da cinzentona Inglaterra. O resultado não haveria de ser muito diferente destes The Agnes Circle.


sobre o autor

Ricardo Almeida

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